Justiça nega habeas corpus aos donos da JBS; defesa recorrerá ainda nesta sexta

Joesley e Wesley Batista estão na carceragem da Polícia Federal em São Paulo

Por O Dia

Brasília - A defesa dos irmãos Joesley e Wesley Batista informa que vai recorrer ainda nesta sexta-feira, da decisão que negou a liminar no pedido de habeas corpus aos donos da JBS. Segundo o advogado de defesa Pierpaolo Cruz Bottini, a própria decisão tomada hoje em segunda instância reconhece a ausência de fato novo apto a justificar a prisão. "A inexistência de qualquer outro preso preventivo no Brasil pela acusação de insider trading revela uma excepcionalidade no mínimo curiosa", diz a defesa dos empresários.

Com habeas corpus negado, os irmãos donos da JBS permanecem presos na carceragem da PF em São PauloDivulgação

Nesta sexta-feira, a juíza federal Tais Ferracini, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, negou habeas corpus aos empresários Joesley e Wesley Batista. Os empresários foram alvo de mandados de prisão preventiva na Operação Acerto de Contas, 2ª fase da Tendão de Aquiles, por suspeita de manipulação do mercado financeiro e da moeda americana usando informações privilegiadas de sua própria delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. A juíza Taís está substituindo o desembargador federal Mauricio Kato, na 5ª Turma.

Wesley está preso na carceragem da Polícia Federal, em São Paulo, desde quarta-feira. Já o irmão, Joesley, é alvo de dois mandados de prisão preventiva. No domingo, o empresário e o executivo Ricardo Saud, do Grupo J&F, foram presos temporariamente por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de violação de sua delação premiada. Nesta quinta-feira, o ministro decretou a preventiva dos executivos.

Joesley estava preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília. Nesta sexta-feira, o empresário foi transferido para São Paulo. Joesley será ouvido em audiência de custódia referente à Tendão de Aquiles.

Nesta operação, os irmãos são investigados pelo uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio de 2017, data da divulgação de informações relacionadas à delação premiada firmada pelos executivos e a Procuradoria-Geral da República. A especulação resultou em lucros milionários para os delatores, afirma a PF.

A defesa dos empresários havia protocolado o habeas na quinta-feira, no Tribunal, em São Paulo, pedido de soltura imediata. Os advogados dos executivos apontaram ilegalidade das prisões.

O pedido foi subscrito pelo criminalista Pierpaolo Bottini e destacou que a liberdade de ambos não coloca em risco as apurações de insider trading e que não há fato novo que justifique a drástica medida. A defesa apontou a ausência de qualquer fato contemporâneo que demonstre a necessidade de segregação relacionada ao delito de insider trading ou à sua persecução.

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