Laudo conclui que cassetete de PM atingiu estudante a mais de 108 Km/h

Perícia ainda concluiu que Mateus não fazia parte do grupo de vândalos

Por O Dia

Goiás - O Instituto de Criminalística de Goiás concluiu em laudo de uma perícia que o golpe de cassetete dado pelo capitão da PM Augusto Sampaio no estudante Mateus Ferreira, de 33 anos, durante um protesto em abril, foi a mais de 108 Km/h.

O documento aponta que o militar agrediu outro manifestante segundos depois e pondera que, apesar de Mateus não ter participado dos atos de vandalismo na ocasião, agiu de forma a “orientar o fluxo” e mantinha o rosto coberto “em coesão com os demais manifestantes do grupo”. O Policial já foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de abuso de autoridade e lesão corporal gravíssima.

Mateus foi agredido na cabeça por um PMReprodução TV Globo

A análise assinada pelos peritos Ricardo Henrique Teixeira Bittencourt e Thyago

Sousa Mendes foi baseada em vídeos e fotos feitos durante o protesto.

Para concluir a velocidade em que o cassetete atinge o estudante, os peritos levaram em conta o “movimento do antebraço, do punho, do braço e do próprio corpo de quem manipula o bastão, aumentando a velocidade impressa no cassetete”, e cálculos matemáticos. Os profissionais ainda relatam que, muito provavelmente, a velocidade real é muito maior do que a de 108 Km/h, já que são adotadas simplificações para obter um valor menor do que o real.

Histórico

No dia 28 de abril, durante uma manifestação contra as reformas Trabalhistas e Previdenciárias, no Centro de Goiânia, Mateus foi atingido por um golpe de cassetete dado pelo capitão da PM ,Augusto Sampaio, após ser confundido com manifestantes que faziam parte de um grupo de vandalistas encapuzados.

Mateus foi socorrido por outros manifestantes, que o colocaram em cima de uma placa onde recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros. O impacto foi tão grande que o cassetete quebrou com a pancada.

O estudante foi levado para o Hospital de Urgência de Goiânia (Hugo), onde ficou internado por 18 dias, sendo 11 deles na UTI. Ele passou por duas cirurgias. Na primeira, os médicos retiraram pedaços do osso quebrado, na segunda, eles construíram a parte afetada pela pancada na testa, usando pinos e cimento ortopédico.

O laudo constatou que ele “não participou das ações coordenadas” de vandalismo, mas que é possível vê-lo gesticulando de forma a “orientar o fluxo de manifestantes, caminhava próximo ao grupo em ação de vandalismo e mantinha o rosto coberto, em coesão com os demais manifestantes do grupo”.

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