Esplanada: Temer começa nesta quarta a minirreforma ministerial

Presidente avisou aos partidos que não quer ministro-candidato que o obrigue a fazer nova reforma em abril

Por O Dia

Brasília - O presidente Michel Temer começa hoje a minirreforma ministerial. À mesa palaciana, pedidos de partidos do chamado ‘Centrão’ para abocanhar as pastas de Cidades (obras de saneamento e ‘Minha Casa’), Relações Exteriores e Secretaria de Governo – todas do PSDB. Temer já barrou nomes.

Avisou aos partidos que não quer ministro-candidato que o obrigue a fazer nova reforma em abril – prazo para desincompatibilização de quem vai disputar a eleição. Os potenciais candidatos são técnicos apadrinhados pelos presidentes dos partidos ou ex-mandatários que não vão concorrer.

O ‘Centrão’

Os partidos do ‘Centrão’, os fiéis que seguraram Temer no cargo após duas denúncias da PGR, são, entre outros, o PR, PRB, PSD, PP, PTB.

Interinos com I

Que não se animem também os secretários-executivos que estão ministros interinos. Alguns pedem para ser oficializados. Até eles rodam, segundo ministros palacianos.

Cota pessoal

Temer tem dito a próximos que quem mais fará falta é o amigo Aluizio Nunes, senador tucano hoje chanceler do Itamaraty. Será uma perda pessoal, ele é da sua cota.

RP do Governo

O apetite da base é tamanho que apareceu partido interessado até no Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União, comandado hoje por interino. Embora não tenha verbas e cargos importantes como os outros, o pote de ouro ali é a tratativa de acordos de leniência, via AGU, com as grandes empresas envolvidas na Lava Jato.

Mina de ouro

A pasta virou a ‘relações públicas’ do Palácio com as empreiteiras bilionárias que precisam limpar o nome no ‘SPC’ do Governo e voltar a disputar obras não menos bilionárias. A Transparência nas mãos de caciques partidários é uma potencial mina de interesses eleitorais em jogo na mesa do acordo. O leitor atento entenderá.

Dançou

A ministra dos Direitos Salariais, ops!, dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, não deve ficar. Temer sequer a recebe, mesmo sob pedidos. Ela foi apadrinhada por Aécio Neves, Antonio Imbassahy e pelo então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. 

Turbinado

Ministro do Turismo apadrinhado pelo senador conterrâneo Renan Calheiros, Marx Beltrão (PMDB) fica. Ele é candidato ao Senado e forte concorrente a deixar em casa em 2018 o padrinho Calheiros – para alegria de seu desafeto, o presidente Temer.

Satélites x Drones

O Brasil está longe da vanguarda em segurança de operação de voos. Multinacionais do setor indicam que aeroportos de outros países recorrem a uma tecnologia para proteger seu espaço aéreo, no qual um bloqueio via satélite neutraliza drones que coloquem o espaço aéreo da pista em risco. Como o caso ocorrido no Aeroporto de Congonhas.

No ar...

Procurada sobre o assunto, a Agência Nacional de Aviação Civil empurrou a responsabilidade para a Aeronáutica. Até o fechamento da Coluna ontem, o DECEA – Departamento de Controle do Espaço Aéreo não respondeu.

Memorando

Líderes da tropa de choque do presidente Temer fizeram circular entre os deputados um estudo da Consultoria do Senado para tentar reverter uma tese: a de que quem votar a favor da reforma da Previdência correrá o risco de não se reeleger em 2018.

Volta ou não?

O estudo “Se votar, volta?”, do consultor Fernando Nery, analisa o desempenho nas urnas de deputados que votaram a favor da reforma da previdência de 1998 e concorreram à reeleição no mesmo ano. “Não encontramos evidências de que votos a favor da reforma tenham afetado positiva ou negativamente a probabilidade de êxito”.

Batalha

Gilberto Kassab, hoje ministro das Comunicações, assumiu a negociação para voltar ao ministério das Cidades (que comandou no Governo Dilma). Mas Romero Jucá também quer a pasta para apadrinhado do PMDB.

Canhão

Cidades é o ministério de maior interface com prefeitos. Em ano eleitoral, um canhão de votos.

Coluna de Leandro Mazzinni

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