Crise une setores da indústria por mais incentivos

Novas associações estão sendo formadas, reunindo alguns segmentos de perfis distintos para fortalecer o lobby junto ao governo

Por O Dia

Rio - A concentração de instituições setoriais marca o ano de 2014. O mote comum é o ganho de competitividade na batalha contra os competidores externos. Mas há também a expectativa de conquistar um quinhão de benefícios junto ao governo federal à altura, pelo menos, das concessões feitas ao setor automotivo, representado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Para reforçar sua musculatura política, grandes associações se uniram a outras e formaram novas entidades. Houve ainda casos em que as associações originais não desapareceram, mas passaram a integrar um novo grupo, que reúne instituições de diferentes segmentos produtores, mais robusto do que o original.

O Instituto Aço Brasil, das siderúrgicas, por exemplo, juntou-se a outras 21 entidades de perfis generalizados, na “Coalizão para a Competitividade, que vão de calçados a eletroeletrônicos, todos ameaçados pelo fantasma da concorrência com produtos importados. A Bracelpa, de papel e celulose, foi mais seletiva nas suas parcerias e uniu-se exclusivamente a segmentos-irmãos, de árvores plantadas — fabricantes de paineis e pisos de madeira, celulose, papel, florestas energéticas e produtores de árvores plantadas.

Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp Júlio Gomes de Almeida, o movimento é uma tentativa de recuperação da atividade do setor industrial e uma oportunidade de reunir pautas comuns em uma única entidade. Para Francisco Turra, presidente da recém criada Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reúne todo o segmento de fornecedores e produtores de carnes de aves e porcos, é também um esforço por ganho de representatividade no Congresso e no Planalto.

“Na crise, o primeiro socorro não se deu no setor de alimentos, mas de veículos. Me parece uma distorção, porque, simultaneamente, o país tem gastos imensos em mobilidade urbana”, contesta Turra, em alusão aos benefícios concedidos pelo governo aos setores automobilístico e de máquinas e equipamentos agrícolas, reunidos na Anfavea. Além da desoneração fiscal com isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) facilitou o crédito aos consumidores de veículos e máquinas.

No governo de Dilma Rousseff, o setor automotivo ficou, pejorativamente, conhecido como líder do grupo dos setores “campeões”, eleitos pelo governo para receber incentivos fiscais. A ABPA diz que o setor de carnes também vem merecendo atenção do governo e, em 2012 chegou a ser incluído na lista dos agraciados pela desoneração da folha de pagamento. Mas a pauta de reivindicações se estende.

A Associação tem em seu quadro quatro grandes frigoríficos de relevância no comércio internacional, como a líder mundial JBS, além de pequenas cooperativas de produtores. Seu poder de barganha está nos 4,1 milhões de empregados, nos R$ 81 bilhões de contribuição ao PIB e faturamento anual de US$ 10 bilhões das suas 132 associadas. “Quando se fala em 4 milhões de empregos sempre há atenção por parte do governo. Hoje mesmo falei por telefone com o ministro da Agricultura”, conta Turra.

A automação do processo produtivo, que poderá levar a demissões, é uma pauta fortíssima, diz ele. “O governo não tem como reclamar. Ou resolve assim ou fecha unidades”.

Já a Ibá, dos plantadores de árvores e seus derivados, recorre aos investimentos de R$ 53 bilhões previstos para ocorrer até 2020 para destrinchar a lista de pedidos ao governo. A pauta passa por temas recorrentes, como a continuidade da desoneração da folha de pagamento e a redução de tributos para investimento, até chegar ao debate sobre o plantio de árvores geneticamente modificadas; e à aquisição de terras por empresas de capital estrangeiro.

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