Por parroyo

Os preços continuam a subir. No mês de abril, a inflação foi de 0,67%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira. Nos últimos 12 meses, o IPCA soma uma correção de 6,28% nos preços.

O índice foi puxado pelo grupo Alimentação, que teve reajuste de 1,19%. Também fez pressão positiva sobre os preços o grupo Habitação, que subiu 0,87%. Na outra ponta, os grupos Educação e Comunicação ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,03% e 0,02%, respectivamente. O aumento já era esperado. As expectativas do mercado eram de um ajuste de 0,8% para abril, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC).

O fato é que uma parte dos brasileiros está sentindo mais o aumento dos preços e entre os especialistas observadores da economia, este é um dos poucos consensos: quem tem maior poder aquisitivo sente mais o impacto. Segundo o critério utilizado pelo Ibope, uma renda bruta familiar mensal de R$ 3,1 mil já é suficiente para fazer parte da chamada classe B.

A redistribuição de renda e a realocação das classes C, D e E na escala de consumo tornaram a vida mais difícil para as classes B e A1, na avaliação de Tharcisio Souza Santos, economista e diretor do MBA Executivo da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). “A política dos últimos três governos ajudou muito a redistribuição dessa renda toda, é inegável e louvável”, aponta. “O dinheiro redistribuído foi o dinheiro das classes média e média alta, cujo consumo não diminuiu.”

Então a conta é simples: aumento da demanda sem crescimento da oferta, sobem os preços. Os mais endinheirados não tiveram uma elevação de renda proporcional ao benefício usufruído pelos mais pobres, logo eles são os que mais sentem o aumento dos preços.

Pedro Rossi, professor da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon), tem opinião semelhante. “O problema não é o aumento de preço em si, mas a variação relativa aos ganhos da população”, explica. “A inflação é alta sim, mas não tem corroído a receita de quem ganha pelo salário mínimo, corrigido pela inflação mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB).”

Inflação é preocupante

Seja pelo histórico assustador de inflação ou pela expectativa de um ano cheio de eventos e oscilações econômicas, o fato é que a inflação preocupa a todos. Embora veja uma “má vontade tremenda” no olhar dos analistas que observam a economia nacional, a presidente Dilma Rousseff assume que “a inflação está sob controle, mas não está tudo bem”.

Não está tudo bem porque o patamar de inflação do Brasil ainda é mais alto que o dos outros países – em março, a inflação anual dos Estados Unidos estava em 1,5%; na zona do euro, 0,2%, abril. Na China, o indicador chegou a 2,4% em março. “O que a gente tem nos últimos anos é uma inflação persistente, acima do centro e abaixo do teto da meta”, aponta Rossi.

Vale lembrar que embora a inflação ainda esteja alta, apresenta de um dos menores patamares dos últimos 20 anos. “Depois de 2005, com o sistema de metas, o índice ficou sempre dentro da banda prevista”, lembra Rossi. Em 2006 e 2009, quando a inflação ficou abaixo do piso da meta, a oscilação cambial ancorou os preços. “Nosso patamar médio acima da constante mundial. Pelo menos uns 4% teremos sempre.”

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