Por monica.lima

A demora da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em divulgar os resultados finais do laudo técnico que vai atestar se o caso de doença da vaca louca em um bovino abatido em unidade da empresa JBS no Estado do Mato Grosso, no dia 19 de março, foi atípico ou clássico — com grau de contaminação ou não — já está prejudicando o Brasil no mercado internacional. Ontem, dia previsto para a publicação do laudo (transferido para hoje), o Peru impôs embargo de 180 dias à carne bovina brasileira. Mesmo sendo um parceiro comercial de pequeno porte, com volume médio de compras de 1,5 mil toneladas no ano ou 0,1% das exportações nacionais de carne, a decisão gerou desconforto no mercado.

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, diz que o embargo do país surpreendeu os empresários e o governo brasileiro.

“Estranhamos a posição do Peru até porque o animal não entrou na cadeia de produção. Não há risco. Independentemente do resultado de hoje, o assunto já foi encerrado pela OIE. Todas as providências sobre o aspecto legal foram tomadas. Tecnicamente, sabemos que não há motivos para isso”, afirma Camardelli, antecipando que a Abiec solicitou ao governo brasileiro audiência com o embaixador do Peru para que seja organizada uma visita da associação ao país para mais esclarecimentos. O Peru é o 54º país na lista dos compradores de carne bovina brasileira, com montante de US$ 3,01 milhões comercializados em 2013, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex-MDIC). Analista da Safra &Mercado, Fernando Henrique Iglesias observa que o embargo à carne brasileira não deve gerar grandes prejuízos aos exportadores.

“Preocupante seria se a Rússia ou o Egito estabelecessem sanções ao produto, mas os países não se manifestaram ainda. O Peru é um comprador pouco relevante”, diz Iglesias.

Segundo a Abiec, até o momento, nenhum parceiro comercial pediu esclarecimentos adicionais sobre o caso da doença, o que, para o presidente da associação, mostra que outros embargos à carne brasileira estão longe de acontecer.

“Se a OIE já legitimou a finalização do processo, isso quer dizer que o resultado de amanhã vai trazer a comprovação de que é um caso atípico de vaca louca, porque o animal era velho”, completa Antônio Jorge Camardelli, referindo-se à notificação com análise prévia, divulgada ontem pelo laboratório internacional . 

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a OIE se comprometeu a divulgar o laudo conclusivo da doença hoje. O prazo inicial já foi modificado duas vezes. O documento deve trazer o diagnóstico epidemiológico e a confirmação se a doença foi atípica, quando ocorre de forma esporádica e espontânea, não relacionada à ingestão de alimentos contaminados.

As vendas de carne bovina tem ganhado peso na balança comercial brasileira. Ele é o terceiro produto em valor exportado mais vendido, precedido da soja em grãos e couros e pele. De janeiro a abril deste ano, as vendas somaram US$1,76 bilhão, 12,5% a mais que no mesmo período de 2013. Rússia, Hong Kong e Venezuela são os maiores parceiros.

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