Por marta.valim
Em Minas, parceria com o BID potencializou, principalmente, o setor de eletrônicos, que cresceu em faturamento 340% em seis anosSanzio Mello/Divulgação

Estimulado com os resultados que a parceria com os governos dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pernambuco trouxe para o incremento dos arranjos produtivos locais (APLs) — polos industriais formados por pequenas e médias empresas — o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai estender o programa de fomento à indústria brasileira por mais uma nova fase, mas com cara nova. O objetivo agora é atingir um dos principais gargalos da produção nacional: a inovação.

Minas, São Paulo e Bahia já mostraram o interesse em fechar essa nova parceria. Em Minas, faltaria apenas o aval do governo federal para o contrato ser assinado, diz o BID. O banco não revela o montante que será destinado ao novo programa, mas a expectativa é a de que seja superior aos aportes da primeira parceria, que envolveu US$ 10 milhões do banco e mais contrapartidas vindas dos governos estaduais e de entidades representantes dos empresários. 

“Hoje, as indústrias nacionais têm baixa capacidade de produção. Introduzir métodos mais eficazes e com maior tecnologia agregada é a saída. Sofremos há alguns anos com a perda de competitividade no mercado internacional e isso tem a ver com a baixa produtividade do trabalho na indústria nacional”, afirma Vanderleia Radaelli, especialista sênior em Ciência e Tecnologia do BID, antecipando que as bases da nova estratégia do banco para o Brasil passam pela promoção de um diálogo mais próximo entre centros de pesquisa e setores produtivos. 

Nessa nova fase, o projeto do BID será voltado a ações que articulem tecnologia, inovação e capital humano, independentemente se forem setores maduros, como a indústria têxtil, ou mais novos, como o de biotecnologia. “Antes, a Pesquisa de Inovação (Pintec) do IBGE mostrava que os obstáculos à inovação industrial brasileira eram a disponibilidade de crédito e o risco. Agora, o capital humano aparece como principal barreira para as empresas inovarem. Se conseguirmos aliar, nos novos projetos, essa mão de obra técnica às empresas, entendemos que os indicadores de produtividade do país vão melhorar”, avalia Vanderleia Radaelli.

Em Minas Gerais, estado que, segundo o banco, conseguiu atingir a melhor evolução em termos de resultados no primeiro projeto, das APLs, as perspectivas sobre a manutenção da parceria são altas. “Em uma iniciativa casada, nós já estamos desenhando uma nova intervenção na indústria mineira, que começaria a ser executada em 2015. A ideia é efetuar uma conexão de cadeias produtivas em rede. Em termos de setores, há a possibilidade de uma diversificação maior da economia de Minas em áreas ligadas à tecnologia dos alimentos, à biotecnologia e às ciências da vida”, antecipa João Paulo Braga, superintendente de Arranjos Produtivos da Subsecretaria de Indústria, Comércio e Serviços da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. 

No estado, a primeira parceria com o BID se voltou ao estímulo às indústrias de calçados e bolsas, móveis, fruticultura, biotecnologia e eletroeletrônicos por meio da formação dos Arranjos Produtivos Locais (APLs). De todos os polos industriais, o eletroeletrônico foi o que mais se destacou, conseguindo atingir um crescimento de 340% no faturamento em seis anos, além de mais que dobrar, de 73 para 150, o número de empresas ligadas ao setor . 

Os bons resultados de Minas vão ser copiados por vizinhos da América do Sul. Uma comitiva do Peru está prevista para ir ao estado no fim do mês para conhecer os avanços do programa de financiamento do BID. “O êxito foi as empresas estarem lá e decidirem os caminhos do projeto. Além disso, o desenho institucional criado permitiu que cada instituição participante tivesse seu papel respeitado”, completa Radaelli.

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