Por monica.lima

São Paulo - Com reservatórios limitados pelas questões ambientais e escassez de recursos hídricos, o sistema elétrico brasileiro vai se tornar cada vez mais dependente das usinas térmicas. É o que informa o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, ao analisar as características do atual modelo energético pautado no menor custo da energia, e não na garantia de segurança do abastecimento. “Está ficando cada vez mais difícil e estressante. Não há reservatórios para garantir atendimento, vamos precisar operar mais térmicas”, disse, durante palestra realizada na Semana de Infraestrutura da Fiesp e Fierj (L.E.T.S), terça-feira em São Paulo.

De acordo com o executivo, as usinas termelétricas serão cada vez mais necessárias para assegurar o fornecimento de energia elétrica no país, já que as usinas hidrelétricas não conseguem mais poupar água para os períodos de estiagem. Chipp explica que dos 20 mil MW de energia nova de fonte hídrica que entrarão em operação no sistema elétrico brasileiro no período entre 2013 e 2018, apenas 200 MW serão de usinas que detém reservatórios, o que diminui a segurança do sistema. “A energia eólica será suficiente para suprir a demanda brasileira? Não podemos contar com isso, por isso precisaremos das térmicas”, ressaltou.

Chipp lembrou que o governo brasileiro vai realizar no segundo semestre deste ano um leilão de energia de reserva, separando projetos por fontes de geração. “Ainda não é um leilão por fonte, mas é um leilão que de certa forma privilegia tipos de produtos. Está começando a chegar onde achamos que seria mais adequado, de melhor equilíbrio entre custo e segurança”, afirmou.

A diretora geral da ANP%2C Magda Chambriard%2C diz que a produção brasileira de gás natural será impulsionada pela exploração do pré-salAlberto Rocha/Fiesp


Oferta adicional de gás virá do pré-sal, diz ANP

Em outra palestra, Magda Chambriard, a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou que o Brasil vai dobrar sua produção de petróleo nos próximos dez anos, graças ao projetos de exploração em curso, sobretudo o pré-sal que já mantém uma produção de 400 mil barris por dia. Segundo ela, a produção brasileira de gás natural também vai ser crescer na próxima década, mas não no mesmo ritmo de expansão americana. “Os Estados Unidos têm condições de atuar mais rapidamente na produção, porque em 150 anos eles perfuraram cerca de 5 milhões de poços. Isso faz com que tenham um grande conhecimento dos seus recursos petrolíferos”, argumentou.

Magda Chambriard admitiu que não há produção nacional de gás suficiente para atender a demanda do país, mas disse que o governo não está confortável com essa realidade e que pretende reverter a situação com a exploração das reservas de pré-sal. “Vamos ter gás natural por terra para consumo no Brasil, mas prioritariamente, nos próximos anos, esse gás virá dos projetos do pré-sal. Enquanto isso, vamos desenvolver projetos de exploração terrestres, de gás convencional”, disse a diretora-geral da ANP. 

ANP descarta novos leilões de petróleo e gás para 2014

Magda Chambriard, diretora geral da ANP, descartou a realização de novas rodadas de licitação de petróleo e gás ainda este ano. “Realizamos três leilões no ano passado: um em maio, outro em outubro e o último em novembro, cujo contrato foi assinado esta semana. Por isso, nós da ANP não entendemos como necessária a realização de uma nova rodada em 2014”, afirmou, mencionando que atualmente a agência analisa novas áreas para licitação no ano que vem. Contudo, a executiva ressalta que novos campos do pré-sal só devem voltar a ser leiloados a partir de 2016. “No caso das oportunidades de bilhões de barris, a ANP não recomenda novas rodadas de licitação para 2015. Acabamos de licitar Libra, que é um megaprojeto, englobando de 12 a 18 plataformas de grande porte, com investimento mínimo de US$ 65 bilhões. Acho improdutivo assolar o mercado com oportunidades gigantescas sem que essas oportunidades licitadas estejam mais maturadas”, disse.

Já Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), criticou a falta de regularidade em leilões de petróleo no país. Para ele, a falta de licitações nos cinco anos que antecederam o leilão de Libra foi prejudicial. “Falta previsibilidade no mercado brasileiro. Deveria haver um calendário anual de rodadas de licitação no país, de maneira que os empresários do setor pudessem se programar melhor”, disse.

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