Câmbio deve subir com fim dos leilões de swap do BC

Para ex-secretário da Fazenda Nelson Barbosa, patamar de R$ 2,50 faria o empresariado "parar de reclamar"

Por O Dia

São Paulo - Um dos fatores que pressiona a competitividade da indústria brasileira, o câmbio, tende a desvalorizar e ficar mais amigável para os empresariado nacional nos próximos meses. O movimento refletirá a diminuição do programa de hedge cambial promovido pelo Banco Central há cerca de um ano, para equilibrar o mercado em meio à retirada gradual do programa de compra de títulos do Federal Reserve (Fed), a autoridade monetária americana. Esta é a opinião do ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Nelson Barbosa.

“O [programa] de leilão de swap chegou a um nível que tem de começar a ser reduzido. Isso vai promover um realinhamento na taxa de câmbio, mas [o movimento] também depende de outras variáveis”, disse Barbosa, para quem a redução dos volumes de swaps deve melhora a posição externa líquida e pode levar o dólar para um nível mais elevado.

Embora reafirme que o câmbio é variável, Barbosa apontou que uma cotação perto de R$ 2,50 “faria o empresário parar de reclamar”. Uma cotação nesse patamar causaria um impacto “pequeno e temporário na inflação, que pode ficar temporariamente fora da meta”, afirmou o ex-secretário durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre a indústria e o desenvolvimento produtivo do Brasil.

O economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) David Kupfer concorda que o dólar a R$ 2,50 melhoraria a competitividade do setor industrial, mas defende a necessidade de um horizonte mais previsível para a taxa de câmbio de longo prazo, o que ajudaria a retomada do processo de investimento. “A equação de custos, no caso da indústria, é totalmente dependente da expectativa em relação à taxa de câmbio. Então se o empresário errar isso, dificilmente vai ter a rentabilidade que justifique o investimento”, disse.

Para o diretor da Escola de Economia em São Paulo (EESP) Yoshiaki Nakano, a desvalorização cambial não é interessante. “O que importa é a trajetória do câmbio nos próximos anos. Sem isso, não existe segurança para investir” afirmou. Nakano acredita que o Banco Central perdeu autonomia e está fazendo uma política monetária direcionada pelo governo para “segurar a inflação e por isso não tem a eficácia vista em outros países”.

Mais radical, o ex-ministro da Fazenda e professor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) Luiz Carlos Bresser-Pereira defende que o patamar ideal para o câmbio seria de R$ 3,20 para que as empresas industriais possam exportar sem nenhuma proteção governamental.“Em um cenário de câmbio flutuante, a taxa de câmbio deveria estar se depreciando porque o déficit em conta corrente está em 4%, mas isso não corrige porque há bolhas financeiras. Os investidores acham que vale colocar dinheiro no Brasil por conta dos juros altos”, disse.

Últimas de _legado_Notícia