Por douglas.nunes

Unilever, Grupo Sá Cavalcante, Sonae Sierra, Farmácia Pague Menos e Bob’s são algumas das empresas que anunciaram uma nova rodada de investimentos no Brasil, de acordo com relatório do Bradesco. Elas fazem parte do grupo de marcas voltadas ao varejo que, apostando no aumento da demanda interna, pretendem aportar em seus negócios mais de R$ 4,2 bilhões neste e no próximo ano, ainda que pesquisas apontem queda na confiança do consumidor, o que significa menos gastos.

“Embora em um primeiro momento pareça contraditório, os investimentos são prova de que as empresas confiam na melhora da economia e querem garantir seu espaço no mercado brasileiro”, diz o diretor executivo de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.

Eduardo Terra (sentado) e Alberto Sorrentino, juntos na SBVC para buscar políticas para o varejoMurillo Constantino / Agência O Dia

Uma pesquisa da ATKearney confirma a expectativa: de acordo com o ranking elaborado pelo grupo de consultoria, com os 30 melhores países em desenvolvimento para se investir no comércio de varejo, o Brasil lidera o ranking pelo terceiro ano consecutivo. O motivo da preferência, segundo o estudo, é que mesmo com a desaceleração do PIB, o varejo deve permanecer crescendo, a taxa de desemprego é a menor da história e, embora em ritmo lento, a infraestrutura passa por melhorias.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, a manutenção dos investimentos ocorre porque os executivos percebem que os fundamentos reais da economia, como emprego, renda e inadimplência, não estão ruins, mas vive-se uma expectativa ruim com o país.

“Quando o fundamento é ruim, há uma demora maior na recuperação. Já o que vivemos, de queda de expectativa, se transforma rapidamente quando o momento passa, e as empresas de varejo estão atentas a isso e se preparando para essa virada, que deve vir logo”, explicou Terra, durante o lançamento da SBVC, que pretende reunir associações ligadas ao varejo e pleitear melhorias para o setor. Para Terra, neste ano há dois eventos importantes que podem alterar essa dinâmica de forma mais ou menos positiva: a Copa a e eleição. Ainda assim, complementou o diretor do conselho consultivo da SBVC, Alberto Sorrentino, esses investimentos estão mais seletivos. “As empresas precisam equilibrar expansão com ganho de produtividade, fator fundamental para manter a competitividade”, afirmou.

Opinião semelhante tem o economista da Anefac. “As empresas que estão investindo são aquelas que têm uma maturação mais longa, como a construção de uma fábrica, caso da Unilever; e de shopping center, como o Grupo Sá Cavalcante e o Sonae Sierra, sob o risco de perderem mercado no caso de uma mudança de cenário repentina”, explicou Oliveira. “Já aquelas que pensam no curto prazo tiraram o pé do acelerador e adiaram os investimentos ou reviram o ritmo dos mesmo”, disse.

Sócio-fundador da empresa de consultoria Sonne, Maximiliano Bavaresco diz que embora o varejo viva um cenário pior do que em 2013, as perspectivas para o médio e longo prazo são bem diferentes. “Por isso, é fundamental a manutenção dos investimentos, especialmente para manter posições já conquistadas e buscar novas”.

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