Por douglas.nunes

O Brasil precisa abrir espaço para que os bancos privados possam atuar no financiamento da infraestrutura. A opinião é do presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) e ex-ministro das Minas e Energia Rodolpho Tourinho Neto, que será palestrante do Fórum de Infraestrutura promovido pelo Brasil Econômico no dia 4, em Brasília (brasileconomico.ig.com.br/infraestrutura)

Tourinho afirma que Brasil possui hoje um bom ambiente de segurança jurídica para os investidoresMurillo Constantino / Agência O Dia

Que desafios o senhor vislumbra para o desenvolvimento do país?

Eu entendo que, hoje, a questão logística é fundamental. O papel da iniciativa privada, no meu entendimento, deve ser ampliado para que o Brasil possa atingir seus objetivos na área logística. O alto volume de recursos disponível para recuperar o passado e pensar o futuro não pode caber apenas ao governo. Somente o Programa de Investimento em Logística prevê R$ 100 bilhões em investimentos ao ano por cinco anos. As empresas de telecomunicações investem hoje cerca de R$ 25 bilhões ao ano.

Há crédito suficiente para prover liquidez ao setor privado nas concessões que estão por vir? Ou o país depende do investimento estrangeiro?

Os recursos, me parece, estão assegurados. O BNDES é responsável por boa parte dos financiamentos. Outra parcela vem de fundos do exterior, do Banco do Brasil e da Caixa. Mas os bancos privados deveriam participar desse processo, além de ser facilitada a entrada de capital externo.

O Brasil possui hoje um bom ambiente de segurança jurídica para os investidores?

Dizer o contrário seria até contradizer o que foi feito nessa área. O setor de telecomunicações está todo nas mãos da iniciativa privada, já saíram diversas concessões de rodovias e aeroportos. Os exemplos estão aí. Não conheço nenhum caso de quebra de contrato pelo governo. Outro exemplo é o setor elétrico, no qual 80% estão em mãos do setor privado. Se não houvesse segurança jurídica, não haveria investidores.

Os licenciamentos ambientais vêm representando um gargalo para aprovação de obras. De que forma o sr. acredita que isso possa mudar?

Quando eu estava no Senado, vi licenças serem concedidas para termelétricas em 27 dias. Isso é um paradoxo. Como pode ser mais fácil uma usina térmica com combustível importado e isenção de ICMS conseguir uma licença do que uma hidrelétrica com reservatório? O grande problema é que o Brasil precisa entender que precisa de usinas que não sejam a fio d’água.

Há interesse dos empreendedores nas novas concessões de rodovias?

Há interesse, sim. Já saíram seis concessões e quatro estão em fase de manifestação de interesse. Mas é preciso que os projetos sejam robustos. E estamos no limite do que o BNDES pode fazer.

E as ferrovias, também despertam interesse?

Nas ferrovias, está sendo revisto o modelo inicialmente estudado. A revisão está em fase final, com a análise, por exemplo, do risco Valec. Está andando.

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