Por marta.valim

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central considera que a inflação ainda mostra resistência, mas avalia que os efeitos da elevação da taxa básica de juros, a Selic, ainda vão se materializar, segundo a ata da reunião da semana passada, divulgada nesta quinta-feira. O Copom também prevê um ritmo de expansão da atividade econômica no Brasil 'menos intenso' em 2014.

Na ata, o Copom diz que “a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos 12 meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência”. Segundo o comitê, isso ocorre porque há, atualmente, dois “importantes processos de ajustes de preços”: realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e dos preços administrados em relação aos livres.

“O comitê reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impacto direto sobre a inflação e reafirma sua visão de que a política monetária [definição da taxa Selic] pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes”.

Pelas projeções de instituições financeiras, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 6,47%, bem próxima do teto da meta, de 6,5%.

O comitê lembra que para combater essas e outras pressões inflacionárias houve aumento da Selic, “mas o comitê avalia que os efeitos da elevação da taxa sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar. Além disso, é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária sobre a inflação tendem a ser potencializados”, acrescenta o Copom, na ata.

O Copom aumentou a Selic por nove vezes seguidas, até a reunião de abril e, no mês passado, optou por manter a taxa em 11% ao ano. O índice é usado nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Crescimento mais lento

Para o Copom, o ritmo de expansão da atividade econômica no Brasil tende a ser 'menos intenso' este ano, na comparação com 2013. Houve mudança em relação ao que o comitê considerava em abril. Na ata da reunião daquele mês, o comitê previa que o ritmo de expansão da atividade doméstica tendia a se manter 'relativamente estável' em comparação a 2013.

Para o comitê, o consumo tende a crescer em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes e os investimentos devem ganhar impulso.

Com relação ao cenário externo, o comitê considera que o maior crescimento global, combinado com a alta do dólar, torna a demanda por produtos e serviços do país mais “favorável ao crescimento da economia brasileira”.

“Pelo lado da oferta, o comitê avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também da agropecuária; e o setor de serviços tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes”, acrescenta o Copom.

O comitê diz ainda que essas perspectivas somadas a avanços em qualificação da mão de obra e ao programa de concessão de serviços públicos devem gerar ganhos de produtividade. “O comitê ressalta, ainda, que a velocidade de materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”, diz.



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