Custo da energia elétrica faz indústria migrar para o gás

Consumo do combustível pelo setor cresceu 3,14% no ano. Já a eletricidade, recuou 1% na comparação com 2013

Por O Dia

Embora o fraco desempenho da indústria nacional — que registrou recuo de 1,6% no acumulado do ano até maio, segundo a Pesquisa Mensal Industrial do IBGE — tenha abalado o consumo de eletricidade no país, com queda de 2,8% no mês de maio, é o preço da energia que tem ditado as ordens nessa relação de consumo. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Gás (Abegás) mostram um aumento de 2,97% no uso do combustível nos últimos cinco meses. E é a indústria a segunda principal cliente, com aumento no consumo de 3,14% no ano, o que equivale a 29 milhões de metros cúbicos.

Quando se olha para a energia elétrica, no entanto, o movimento segue na direção oposta. Boletim Mensal do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostra recuo de 2,8% no desempenho da carga do Sistema Integrado Nacional (SIN) no mês de maio, na comparação com abril. Já o relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revela o quanto a indústria nacional vem deixando de consumir em eletricidade. Na comparação entre os cinco primeiros meses do ano de 2014 e de 2013, o recuo é de 1%. Mas, quando se olha para o desempenho no mês de maio de 2014, comparado ao mesmo mês de 2013, a queda é ainda maior, de 4,3%.

“Não é apenas o efeito da economia, com a desaceleração do ritmo de produção da indústria nacional, que explica esse cenário de queda no consumo de eletricidade. Também há uma deslocamento entre preços da energia elétrica e a gás constante”, destacam Mônica Souza e Luiz Ehlers, consultora e coordenador da área técnica da consultoria Gás Energy.

Segundo os analistas, com os preços da energia elétrica ainda valorizados no mercado livre — que chegaram, em junho, a R$ 417 por megawatt-hora (MWh) no sudeste —, as indústrias estariam optando pelo gás para manter as atividades. Para a dupla de consultores, os preços administrados pela Petrobras, principal fornecedora do combustível no país, também estariam definindo essa disputa favoravelmente para os fornecedores de gás.

“A Petrobras vem segurando os preços do gás desde 2012 e eles estão em torno de U$S 8 por milhão de BTU. Com a energia elétrica mais cara, o momento se tornou propício para o uso do gás”, completam Mônica Souza e Luiz Ehlers, da Gás Energy. “Logo, quem tem geração de energia a gás acaba se beneficiando.”

Presidente da comercializadora Comerc Energia, Cristopher Vlavianos destaca ainda que, embora o preço do gás no Brasil seja mais caro do que em outros países, como os Estados Unidos por exemplo — onde o custo varia de U$S 4 a U$S 7 por milhão de BTU —, as grandes empresas têm optado por trocar a matriz elétrica pela a gás para, assim, se tornarem mais competitivas e reduzirem os custos de produção em um momento de baixo faturamento. 

“Quanto mais volume se contrata, menor é o preço pago pelo gás, o que acaba criando uma vantagem competitiva no contrato”, afirma Vlavianos. De acordo com os dados da Abegás, o combustível continua sendo mais utilizado para a geração elétrica e cogeração de energia. No acumulado do ano até maio, as duas atividades foram responsáveis por um aumento no consumo de 11,83% e 3,57%, respectivamente. O que revela ainda que a necessidade do despacho térmico no país continua alta. 

Especialista em Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Tatiana Lauria lembra que as indústrias brasileiras aprenderam, com o racionamento, a gerirem melhor o uso da eletricidade na cadeia produtiva. Mas ainda assim, a energia continua sendo um peso importante no chamado custo Brasil. <EM>“Seja elétrica ou a gás, a energia no Brasil é ainda muito cara e isso gera um custo adicional às indústrias. Nos segmento de alumínio e soda-cloro,a energia corresponde a um peso de 20% na produção total. Quando se reduz a produção, automaticamente isso interfere no consumo de energia”, afirma Tatiana Lauria.

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