Produção rural está longe do plantio sustentável no Brasil

Apenas 39% dos produtores conhecem o programa de incentivo à agricultura de baixo carbono do governo federal, o Plano ABC. Para FGV, apesar do aumento da oferta de crédito, projeto esbarra na falta de apoio técnico

Por monica.lima

Rio - Ferramenta de estímulo à agricultura limpa, por meio da adoção de técnicas que minimizem a emissão de carbono na atmosfera, o Plano ABC vem sendo subutilizado neste ano. Estudo do Observatório ABC, formado por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), revela que 53% dos R$ 4,5 bilhões da linha de linha de financiamento do programa foi tomado até 30 de abril para financiar a safra deste ano. A explicação para a relativa baixa adesão de médios produtores rurais é a falta de conhecimento sobre o programa e no apoio técnico ainda escasso.

De acordo com levantamento do próprio Ministério da Agricultura (Mapa), apenas 39% dos produtores rurais têm conhecimento sobre o Plano ABC. A pasta reconhece a necessidade de ampliar os canais de divulgação. 

“Em pesquisa realizada durante o Rally da Pecuária/ABC, feito em parceria com a consultoria Agroconsult em 160 municípios de nove estados do país, constatamos que 39% dos entrevistados da amostra conhecem o crédito. Com certeza vamos aumentar a qualificação e divulgação do programa. Os bancos precisam entrar fortes nessa tarefa também”, afirma o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do ministério, Caio Rocha.

Mas, segundo os pesquisadores da FGV, é preciso mais do que dinheiro para que a agricultura limpa se torne uma realidade efetiva no país. “O montante disponível para a linha de crédito vem crescendo a cada safra, o que demonstra um desejo do governo de incentivar finalidades de redução das emissões de carbono. No entanto, o ABC requer uma mudança cultural do agricultor e um esforço maior. É preciso apresentar um projeto técnico georreferenciado”, afirma Annelise Vendramini, gestora de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV. O projeto técnico deve ser assinado por profissional habilitado, bem como ter comprovantes de análises de solo e da recomendação agronômica, com o teor de matéria orgânica do solo.

Poucos avanços e sem metas cumpridas

Segundo os pesquisadores do Observatório ABC, o treinamento de técnicos e produtores rurais, que consta no programa, pouco avançou. Enquanto a meta, especificada em texto oficial do plano, estabelece o treinamento de 19.440 técnicos e 935 mil produtores rurais até 2020, segundo os pesquisadores, dados do Ministério da Agricultura de 2011 a 2013 revelariam que teriam sido capacitados 19.551 pessoas, sendo apenas 30% de produtores rurais. “Nos estados do Sudeste a assistência avançou mais e, por isso, eles acessam mais o crédito”, diz Annelise.

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