Pressão externa abala ainda mais a indústra de metais

Dólar e queda das cotações internacionais aprofundam crise do segmento, que sofre com o menor consumo interno

Por O Dia

A perda de ritmo da indústria nacional, que acumula retração de produção de 1,6% de janeiro a maio deste ano, tem atingido em cheio a indústria de produtos de metal. Com seu perfil variado, produzindo para indústria, construção civil e bens para as famílias, o setor tem sentido mais os impactos negativos da desaceleração econômica em curso no país.

Das 26 atividades analisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal da Indústria, o segmento produtos de metal é a segunda pior, com queda de 8,8% em sua produção até maio, melhor apenas que a indústria automobilística, cuja retração de 12,5%.

Dados do Instituto Aço Brasil, que representa as empresas produtoras de aço no país, demonstram a crise pela qual o setor de metais passa. Até maio, a produção de aço bruto caiu 0,8% e totalizou 14 milhões de toneladas. Já a produção de laminados sofreu redução de 2%, com 10,5 milhões de toneladas.

As exportações do segmento também foram menores nos primeiros cinco meses de 2014. Em volume, caíram 18% e corresponderam a 3,2 milhões de toneladas. Em valores, as vendas externas foram de US$ 2,4 bilhões, 7,9% inferior ao apurado no mesmo período de 2013.

Por outro lado, as importações aumentaram 15%. Foram 1,7 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos comprados no mercado externo. Já o consumo interno de produtos siderúrgicos chegou a 10,8 milhões de toneladas no período de janeiro a maio de 2014, uma expansão de apenas 0,3%.

“A atividade de bens de metal está em uma onda ainda mais negativa que afeta a indústria como um todo. Além de menos competitiva, ela enfrenta a redução das exportações. Estão comprando menos do Brasil”, diz Rogério de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Analista do setor de metais do Banco do Brasil (BB), Victor Penna afirma que a desvalorização do dólar do patamar de R$ 2,30 para o de R$ 2,20, combinada à queda da cotação do aço no mercado internacional e à forte concorrência chinesa, tem tornado ainda mais acirrada a competição internacional.

“A indústria nacional tem preferido consumir matéria-prima de fora por causa do preço, o que compromete ainda mais o parque siderúrgico nacional, que também sofre com a desaceleração da economia com um todo”, diz.

Segmento demite mais que a média da indústria

A perda de fôlego da atividade desse segmento tem mostrado seus primeiros reflexos no mercado de trabalho. A Pesquisa Mensal de Emprego Industrial (PIMES) do IBGE de maio revelou o corte de 6,7% das vagas nos cinco primeiros meses de 2014. O percentual é bem superior à perda de emprego apurada para a média da indústria geral, de 2,2% no mesmo período.

“A indústria de produtos de metal é um setor grande. Costuma empregar bastante e tem sindicatos fortes, que negociam para evitar demissões. Diante do cenário atual, as empresas devem estar cortando turnos e antecipando férias coletivas”, crê o analista de mercado para o setor do BB.

As perspectivas de curto prazo para o segmento de produtos de metal são pouco otimistas e sugerem a manutenção desse quadro. Para junho, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) previu um cenário ainda pior para a toda a indústria de transformação. O índice de confiança do setor apresentou queda de 3,9% em comparação a maio e chegou ao menor patamar desde maio de 2009, aos 87,2 pontos.

“O setor de bens de metal teve um dos piores indicadores de expectativa de emprego, atingindo a casa dos 70 pontos. Abaixo de 100, a tendência é de mais demissões e de menos contratações” , completa Penna.

Últimas de _legado_Notícia