Por douglas.nunes

O minério de ferro declinou antes do esperado neste ano. A oferta superou a demanda e é improvável que os preços se recuperem, segundo o Goldman Sachs Group Inc., que disse que 2014 marcará o final de um período chamado de “era do ferro”.

Este ano “é o ponto de inflexão onde a nova capacidade de produção finalmente alcança o crescimento da demanda, e as margens de lucros começam sua reversão para a média histórica”, escreveram os analistas Christian Lelong e Amber Cai hoje em um relatório com o título “O Fim da Era do Ferro”. A previsão para o minério transportado maritimamente para 2016 foi reduzida de US$ 82 por tonelada para US$ 79 e a perspectiva para 2017 passou de US$ 85 para US$ 78, segundo o banco com sede em Nova York, que manteve seu prognóstico de US$ 80 para o ano que vem.

A matéria prima despencou e caiu em um mercado baixista neste ano porque os maiores produtores, incluindo a Rio Tinto Group, expandiram a produção de baixo custo, apostando que maiores volumes mais do que compensariam a queda dos preços, ao passo que minas menos competitivas foram obrigadas a fechar. O declínio nos preços se deu antes do esperado, segundo o Goldman, que em novembro disse que o minério de ferro provavelmente cairia pelo menos 15% neste ano. Considera-se que a commodity esteja em uma tendência descendente estrutural, disse hoje o JPMorgan Chase Co.

“O declínio nos preços tem sido abrupto, mas uma perspectiva fraca para a demanda na China e a natureza estrutural do superávit tornam improvável uma recuperação”, escreveram Lelong e Cai. “É improvável que preços mais baixos para o minério de ferro e o aço impulsionem a demanda de forma material. Em vez disso, o dia em que a produção de aço na China chegará a seu pico está cada vez mais próximo”.

O nível mais baixo

O minério com 62 por cento de conteúdo no porto chinês de Qingdao caiu 39% para US$ 82,22 por tonelada neste ano, o menor nível desde setembro de 2009, segundo dados da Metal Bulletin Ltd. O Índice de Commodities da Bloomberg, que não inclui o minério de ferro, perdeu 2% no período. Dentro do índice, a maior queda foi a da soja.

O superávit global mais do que triplicará de 52 milhões de toneladas neste ano para 163 milhões de toneladas em 2015, segundo o Goldman. Antevê-se que a superabundância se expanda para 245 milhões de toneladas em 2016, 295 milhões de toneladas em 2017 e 334 milhões de toneladas em 2018.

O minério de ferro poderia experimentar uma rápida recuperação neste semestre, disse Paul Gait, analista da Sanford C. Bernstein, em um relatório publicado em 9 de julho, mencionando fatores como um aumento sazonal no segundo semestre e o fim do ajuste de políticas da China. A maior economia da China representa cerca de 67% da demanda transportada maritimamente.

Estimações do Goldman

Cerca de 110 milhões de toneladas de oferta internacional serão fechadas no ano que vem e mais 75 milhões de toneladas farão o mesmo em 2016, estimou o Goldman no relatório. A maioria dos fechamentos será na China, mas os produtores que enviam minério por navio até o país não sairão ilesos, disse o banco.

A Rio Tinto, a maior fornecedora depois da Vale SA, planeja aumentar sua produção para mais de 330 milhões de toneladas em 2015, segundo uma estimativa da companhia. A Vale aumentará sua produção 8,4% para 348 milhões de toneladas em 2015. A BHP Billiton Ltd. prevê um crescimento de 8,9% das suas minas no oeste da Austrália nos doze meses iniciados em 1º de julho, e a Fortescue Metals Group Ltd. poderia aumentar seus envios em 25%.

“A passagem para um excesso estrutural de oferta mal leva seis meses, mas os preços do minério transportado maritimamente já declinaram 38% acumulado no ano”, escreveram Lelong e Cai. “Em vez de representar o ponto mais baixo para este ciclo, acreditamos que a pressão descendente continue”.

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