Copom acredita que inflação convergirá para meta nos próximos anos

Na ata da última reunião divulgada nesta quinta-feira, o comitê afirma que inflação deve diminuir, mesmo sem a redução do instrumento de política monetária

Por O Dia

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) considera que a inflação, apesar de ainda estar elevada, tende a convergir para a meta nos próximos anos. A avaliação está na ata da última reunião do Copom, divulgada hoje.

No último dia 3, o Copom manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 11% ao ano, pela terceira vez seguida. O Copom interrompeu o ciclo de alta da Selic em maio, quando segurou os juros após nove aumentos consecutivos. A meta de inflação é 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

O Copom optou por não reduzir os juros, mesmo com a economia em queda. De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, apresentou queda de 0,6% no segundo trimestre de 2014, em relação aos primeiros três meses do ano, a segunda retração seguida.

De acordo com a ata do Copom, pressões inflacionárias presentes na economia tendem a arrefecer ou, até mesmo, se esgotarem. O Copom cita como exemplo de pressões o realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e dos administrados em relação aos livres e ganhos salariais incompatíveis com a produtividade.

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O BC reafirma, ainda que, “em prazos mais curtos, some-se a isso o deslocamento do hiato do produto para o campo desinflacionário”. Isso quer dizer que a economia está crescendo abaixo do seu potencial, o que contribui para reduzir pressões inflacionárias.

“Nesse contexto, é plausível afirmar que, mantidas as condições monetárias – isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária [taxa Selic] –, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção [24 meses]”.

Para o comitê, taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. "Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza também que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda", reafirmou o Copom.

O Comitê enfatizou ainda que "deve se manter vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos 12 meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária".

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