Por douglas.nunes

A OCDE constatou nesta segunda-feira uma desaceleração das grandes economias mundiais, e considerou que "o aspecto mais preocupante é a persistência de um crescimento fraco na Eurozona" e seu distanciamento de outras grandes economias, como Estados Unidos e China.

A correção mais pronunciada foi a do Brasil. A OCDE diminuiu em 1,5 ponto sua previsão de crescimento para este ano, que se situa em 0,3% do PIB. Para 2015 a correção foi de 0,8 ponto em baixa, a 1,4%.

O Brasil caiu em recessão na primeira metade de 2014, a OCDE afirmou que "o investimento foi especialmente fraco, afetado pela incerteza em torno do rumo político posterior às próximas eleições e pela necessidade de que a política monetária limite uma inflação acima do objetivo".

"À medida que estes fatores perdem força, pode-se esperar uma recuperação moderada, mas está previsto que o crescimento siga abaixo de seu potencial em 2015", acrescenta o texto.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) rebaixou em 0,4 ponto sua previsão de crescimento para a Eurozona em 2014, a 0,8% do PIB, e em 0,6% seu prognóstico para 2015, a 1,1%.

Este crescimento anêmico é "o aspecto mais preocupante" constatado pela OCDE, que representa as principais economias desenvolvidas, em um comunicado de imprensa.

Também rebaixou a previsão de crescimento para os Estados Unidos em relação às últimas projeções, feitas em maio.

A maior economia mundial crescerá 2,1% em 2014, e não 2,6%, como esperava a OCDE em maio, e 3,1% em 2015, em vez de 3,5%.

Para a China, a segunda economia do planeta, a OCDE manteve suas previsões para este ano (7,4%) e para o próximo (7,3%).

A Índia, por sua vez, terá um crescimento de 5,7% neste ano (0,8 ponto a mais que em maio) e de 5,9% em 2015, sem mudanças em relação à previsão anterior.

Um panorama diferente

Em comparação com a Eurozona, estancada atualmente, as outras grandes economias estão melhor, mas não deixam de acusar uma desaceleração, destaca a OCDE.

"Há uma divergência crescente (...) A recuperação nos Estados Unidos é sólida, o crescimento está em andamento no Japão e na China, e na Índia se reforça após o recente acesso de debilidade. No entanto, o crescimento na Eurozona parece condenado a continuar sendo fraco no curto prazo, e o Brasil sairá lentamente da recessão", julga a OCDE.

Diante deste panorama tão díspar, a OCDE afirma que "a recuperação mundial precisa que se mantenha o apoio à demanda".

A Eurozona precisará de "um apoio monetário mais vigoroso" para escapar do risco de deflação, afirma a organização com sede em Paris.

Para a França, a OCDE prevê um crescimento de 0,4% neste ano e de 1% no próximo. Em maio ainda esperava 0,9% para 2014 e 1,5% para 2015.

A Alemanha, a maior economia da Eurozona, também sofre uma correção, e terá um crescimento de 1,5% do PIB neste ano, 0,4 ponto menos que na previsão de maio. Para 2015 a OCDE também espera 1,5%.

A revisão mais severa na Eurozona, formada por 18 países, é para a Itália. A OCDE anuncia uma recessão neste ano (-0,4%) e um crescimento de 0,1% em 2015.

Por último, a OCDE chama a atenção para os riscos que pesam sobre a recuperação: "a intensificação dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, e a incerteza crescente em torno do resultado do referendo de independência na Escócia", assim como a vulnerabilidade de certas economias emergentes ante a redução do pacote de estímulo monetário nos Estados Unidos.

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