Por douglas.nunes

Os preços do minério de ferro, que hoje recuaram para seu menor patamar em cinco anos, continuarão fracos durante um período prolongado, pois a oferta supera a demanda e a economia da China está desacelerando, segundo Tom Albanese, ex-CEO da Rio Tinto Group.

Os produtores com custo alto estão enfrentando um “ponto problemático” com preços de cerca de US$ 80 por tonelada, disse Albanese, CEO da Vedanta Resources Plc, com sede em Londres, hoje em entrevistas à Bloomberg Television e a um repórter. Os produtores com custo baixo continuariam conseguindo ganhar bastante dinheiro com o minério de ferro, mas haverá fechamentos das minas com custos mais altos ao longo do tempo, disse ele.

A matéria-prima se desvalorizou 42% neste ano, pois a Rio Tinto e a BHP Billiton Ltd. aumentaram a oferta, o que levou o mercado à superabundância justo quando o crescimento da demanda desacelerou na China. Na semana passada, a prognosticadora estatal da Austrália reduziu suas estimativas de preços para este ano e para 2015 e anteviu mais fechamentos de produtores de alto custo. O minério de ferro está caminhando para “preços impiedosos” por causa das expansões de grandes companhias mineradoras, segundo o Credit Suisse Group AG.

“A US$ 80, os preços estão num ponto problemático para muitos produtores de custos mais altos”, disse Albanese, CEO da Rio entre 2007 e 2013. “Neste contexto, é provável que a oferta atual supere a demanda. Não é necessário muito para provocar uma queda dos preços”.

O minério com 62 por cento de conteúdo enviado a Qingdao, China, despencou para US$ 77,97 por tonelada hoje, o menor valor desde setembro de 2009, segundo dados da Metal Bulletin Ltd. O ingrediente usado na fabricação de aço está caminhando para o terceiro recuo trimestral consecutivo, a maior série de quedas registrada em dados computados a partir de meados de 2009.

‘Cara confiável’

“Esse preço é muito ameaçador”, disse Daniel Morgan, analista do UBS AG em Sydney, em referência à cifra de US$ 80 mencionada por Albanese. “Durante muitos anos, Tom foi o CEO da segunda maior produtora mundial de minério de ferro. Este era um grande componente do seu negócio. Acho que ele seja um cara razoavelmente confiável ao falar sobre o mercado”.

O excedente mundial aumentará de 52 milhões de toneladas neste ano para 163 milhões de toneladas em 2015, segundo o Goldman Sachs Group Inc. A média de preços por tonelada será de US$ 80 em 2015, prediz o banco. No que vai deste ano, a média tem sido de US$ 104.

Com a redução da demanda e mais oferta chegando, as cargas a granel, em particular de minério de ferro, têm sido muito fracas nos últimos doze meses, disse Albanese. Para qualquer commodity, a reação aos preços baixos seria uma diminuição da produção em algum momento, disse ele.

Desaceleração da demanda

Uma queda do mercado imobiliário e a redução de crédito diminuíram a expansão da demanda por minério na China, que compra cerca de 67 por cento da oferta transportada por via marítima. No mês passado, os lucros industriais caíram pela primeira vez em dois anos, mais um sinal de que a desaceleração está se aprofundando na segunda maior economia do mundo. O governo visa um crescimento de cerca de 7,5 por cento do PIB para este ano.

“O que observamos neste momento é uma desaceleração prolongada na China de onde estávamos antes”, disse Albanese. “Se o que estamos vendo na China for apenas uma desaceleração para uma faixa de crescimento de 6 por cento a 7 por cento do PIB num prazo mais longo, então os mercados de commodities e metais estarão em boa forma”.

A Vedanta produz cobre, alumínio e minério de ferro e, em 2011, completou a aquisição de uma participação controladora na exploradora de petróleo e gás Cairn India Ltd., obtendo acesso ao maior campo petrolífero onshore da Índia. Suas ações subiram 1,8 por cento neste ano.

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