Baidu compra Peixe Urbano e espera conquistar mercado local

Quase um ano depois de iniciar sua operação local, a gigante chinesa da internet anuncia a aquisição do site brasileiro de e-commerce para fortalecer sua presença na web

Por O Dia

“Uma longa jornada começa pelo primeiro passo”. O velho provérbio chinês traduz a relação do Baidu — um dos três gigantes da web na China — com o mercado brasileiro. Após iniciar sua operação local em novembro de 2013 com a oferta de uma pequena parte do seu extenso portfólio, a companhia vem construindo pouco a pouco sua presença na internet brasileira. E o mais novo avanço nessa caminhada foi anunciado ontem. O Baidu adquiriu o controle do Peixe Urbano, site brasileiro de comércio eletrônico local criado há quatro anos. A transação integra um plano de investimentos de R$ 120 milhões da empresa chinesa para o Brasil nos próximos três anos. Pelos termos do acordo, a marca, a equipe e o modelo de negócios do Peixe Urbano serão mantidos. 

“Foi um caso de amor à primeira vista. O Peixe Urbano é uma marca reconhecida no Brasil, com uma base ampla de usuários ativos e fiéis”, diz Yan Di, diretor-geral do Baidu no Brasil, sobre o acordo que começou a ser costurado no fim de agosto. “Há uma grande tendência de migração para os dispositivos móveis e da demanda por serviços nessa frente. Vamos juntar forças para explorar esse mercado”.

Sob o ponto de vista do Baidu, o acordo acelera a inserção no ecossistema da web brasileira e o entendimento dos hábitos dos internautas locais. Esses componentes são essenciais para a empresa refinar e escalar seu serviço de buscas, sua principal oferta global e que foi lançada — ainda sem alardes — há cerca de dois meses no país.

No contexto do Peixe Urbano, além do aporte para ampliar as ações de marketing, a transação traz ganhos em duas frentes. Em primeiro plano, a companhia poderá encurtar o caminho para o desenvolvimento de tecnologias em três campos: mobilidade, serviços baseados em geolocalização e algoritmos de busca e de personalização das ofertas.Com forte aposta nessas vertentes, hoje 30% da receita global do Baidu já vem de serviços móveis. “O Baidu investe 14% de sua receita anual em pesquisa e desenvolvimento e tem mais de 20 mil engenheiros. O acesso a essa escala e a essa qualidade nos dará muitas vantagens”, diz Julio Vasconcelos, cofundador e executivo-chefe do Peixe Urbano.

A entrada do Baidu beneficia o Peixe Urbano em outra ponta. O site brasileiro tem origem no segmento de compras coletivas, que passa por ajustes em seu modelo de negócios. Na China, o Baidu detém o controle do Nuomi, um dos principais nomes desse setor naquele mercado. “Muitas das tendências que vão amadurecer nesse setor no Brasil, já aconteceram por lá. E o Baidu vai compartilhar muito desse conhecimento conosco”.

Com parcerias com mais de 30 mil estabelecimentos, outra prioridade do Peixe Urbano será fortalecer sua oferta em bairros mais periféricos de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. Em médio prazo, a empresa avalia retomar sua estratégia de expansão no exterior. Em 2012, o site se desfez de suas operações na América Latina e, hoje, sua atuação está concentrada no Brasil.

O Baidu também desenha novas ações para encorpar sua operação brasileira. Um dos nortes envolve intensificar o acesso à cadeia local de internet e a oferta de produtos e serviços por meio da web. Nessa direção, a companhia vai investir em parcerias e não descarta novas aquisições. “Temos várias possibilidades para alcançar esses objetivos”, afirma Di. “Esse mercado movimenta mais de US$ 1 trilhão na China e o Brasil tem potencial para chegar a esse patamar. Vamos continuar a mapear parceiros para encontrar sinergias”, diz.

Os planos incluem ainda uma grande campanha de marketing para lançar efetivamente o serviço de buscas e a instalação de um centro de P&D, provavelmente em parceria com uma universidade. Com grande parte de suas ofertas locais ainda gratuitas — maneira que a empresa encontrou para divulgar inicialmente sua marca —, o Baidu parece não ter pressa de começar a rentabilizar os negócios no país. “A monetização não é nosso objetivo primário. O foco agora é aprimorar a oferta local. Nosso compromisso aqui é de longo prazo”, observa Di.

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