Por parroyo

O dólar ampliava a queda nesta quinta-feira, chegando a despencar 3% e bater no patamar de R$ 2,39, com investidores animados pela surpreendente alta da Selic, que alimentou expectativas de fluxo positivo ao Brasil e de que a condução da política econômica pode tomar rumo mais favorável aos olhos do mercado.

A política econômica do governo de Dilma Rousseff, reeleita no domingo, recebeu fortes críticas por causar inflação elevada e baixo crescimento, em meio a uma política fiscal pouco transparente.

Às 16h30, a moeda norte-americana caía 2,45%, a R$ 2,408 na venda, após chegar a R$ 2,393 na mínima da sessão, com queda de 3,05%. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 500 milhões de dólares.

"O aumento dos juros dá uma animada no mercado por causa da expectativa de fluxo, mas principalmente porque é um indício de que o governo está mais preocupado com a inflação", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Seguindo o otimismo, a bolsa de valores também operava no azul. Por vola das 16h30h, o Ibovespa tinha avanço de 2,19%, aos 52.167 pontos. À frente dos ganhos, Banco do Brasil ON subia 8,09%. Na ponta negartiva, Vale PN perdia 4,24%. 

Três dias após a reeleição de Dilma, o BC decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 11,25%, alegando aumento dos riscos à inflação. A decisão pegou o mercado no contrapé, em meio a amplas expectativas de que a Selic só voltaria a subir no ano que vem, num cenário de inflação elevada e atividade fraca.

O mercado aguardará mais pistas sobre como será a política fiscal nos próximos quatro anos para confirmar suas apostas sobre a política econômica. Também continuará no radar a nomeação do próximo ministro da Fazenda.

"É um ótimo primeiro passo e parece que o mercado está bem feliz, mas ainda há um caminho longo à frente", disse o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold.

A expectativa de maior entrada de recursos estrangeiros no Brasil também ajudava na baixa no dólar nesta sessão, com maior potencial de investimentos externos vindo para o Brasil em busca de mais rendimentos com a Selic maior. No mercado de juros futuros, a curva de DI mostrava apostas de maior aperto monetário agora.

Pelo terceiro dia seguido, o movimento do câmbio era turbinado também por fatores técnicos, com muitos investidores desfazendo apostas na alta do dólar que haviam sido montadas antes do segundo turno das eleições. Muitos analistas afirmam que a vitória de Dilma já havia sido precificada.

"A posição técnica favorece esse movimento de queda. Todo mundo estava comprado (em dólar) e quando há quedas fortes como nesses últimos dias, essas posições acabam sendo desmontadas", disse o operador de um importante banco internacional.

A perspectiva de que o presidente do BC, Alexandre Tombini, continue em seu cargo e estenda o programa de intervenções diárias no câmbio em 2015 também tem contribuído para a queda do dólar ante o real nos últimos dias.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 3 mil contratos para 1º de junho e 1 mil para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a US$ 198 milhões.

O BC também vendeu a oferta total de até 8 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro, rolando praticamente todo o lote, equivalente a US$ 8,84 bilhões. O próximo vencimento será em 1º de dezembro, equivalente a US$ 9,831 bilhões.

Você pode gostar