Por parroyo
Publicado 06/11/2014 14:20 | Atualizado 06/11/2014 20:00

A produção brasileira de veículos caiu 9 por cento em outubro sobre o mesmo mês de 2013, afetada por um mercado interno ainda retraído, exportações que recuaram mais de 50% , fazendo os estoque atingirem novo pico no ano.

A produção em outubro somou 293,3 mil veículos, recuando 2,5%  na comparação mensal. De janeiro a outubro, o volume produzido foi 16% menor sobre o mesmo período do ano passado, a 2,68 milhões de veículos.

Já as vendas avançaram 3,6% ante setembro, mas caíram 7,1% na comparação anual, a 306,9 mil unidades. No acumulado do ano, o setor teve queda de 8,9%  sobre os dez primeiros meses de 2013, a 2,83 milhões de unidades.

O desempenho está longe da previsão da entidade, de queda de 10 por cento na produção de 2014, a 3,339 milhões de veículos, e recuo de 5,4% nas vendas, a 3,564 milhões de unidades.

"Mantemos as projeções, mas confesso que estamos com viés negativo, pois sabemos da dificuldade de se licenciar 3,564 milhões de unidades", disse o presidente da associação de montadoras de veículos, Anfavea, Luiz Moan, a jornalistas.

Segundo ele, as vendas do início de novembro estão mostrando média por dia útil de 15 mil unidades, ante nível de 13 mil em outubro. Moan disse que o aumento sustenta a manutenção das projeções, além da esperada sazonalidade de vendas mais fortes em novembro e dezembro e eventual antecipação de compras por consumidores antes do prometido fim do desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no fim do ano.

As exportações da indústria despencaram 54,6% em outubro sobre um ano antes, para 23.503 veículos. No ano, as vendas externas do setor acumulam queda de 40,4%, a 284.810 unidades.

A previsão da Anfavea para as exportações é de 401 mil veículos, o que seria uma queda de 29% sobre 2013.

Moan afirmou que a queda nas exportações de outubro ocorreu com a retração do mercado argentino, cujas vendas caíram 40 por cento no mês passado.

O setor fechou outubro com estoque de 413,4 mil veículos, 2% acima de setembro, já então o maior nível do ano. "Estoque só se trabalha de duas formas, com vendas ou com redução na produção", disse Moan.

A base de postos de trabalho marcou a sexta queda mensal consecutiva. Em outubro, o setor apurou 147.011 postos ocupados, queda de cerca de 8%  sobre um ano antes e de 0,5 por cento na comparação com setembro.

Acordos

Com o Brasil caminhando para um segundo ano seguido de queda nas vendas de veículos e um mercado argentino deprimido, a indústria tem apostado em acordos de exportação que possam ajudar a ocupar suas fábricas.

Moan afirmou que viaja para o México na próxima semana para iniciar discussões sobre renovação do acordo automotivo do país com o Brasil, que vence em março de 2015. Segundo ele, o objetivo é chegar a um acerto não apenas comercial, mas de integração produtiva das indústrias de veículos dos dois países. "Não podemos deixar que o acordo caia por terra", disse.

Além do México, a Anfavea tem apostado no mercado colombiano, cujas vendas de veículos novos em 2014 devem crescer 7,2%, a 315 mil unidades. Moan afirmou que os governos do Brasil e da Colômbia estão tendo algumas conversas e que o objetivo da Anfavea é entregar até dezembro propostas de montadoras do Brasil para um acordo com o país vizinho.

Projeções

Apesar das dificuldades e incertezas sobre o crescimento da economia brasileira, a Anfavea divulgou nesta sexta-feira estudo em que afirma que as vendas de veículos no Brasil em 2034 vão alcançar 7,4 milhões de unidades, correspondendo a um crescimento médio de 3,7% ao ano no período.

A projeção é baseada em um cenário em que a população brasileira vai crescer dos atuais 201 milhões de habitantes para 226 milhões em 2034, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) vai subir, em média, 3% ao ano.

Segundo o levantamento, com o crescimento projetado nas vendas do mercado interno, a frota de veículos do Brasil vai aumentar de cerca de 39,7 milhões para 95,2 milhões em 2034.

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