São Paulo - Com queda nas vendas e nos índices de confiança do consumidor e do empresariado, o comércio paulista considera que não há o que celebrar em 2014, a não ser a indicação da nova equipe econômica do governo e os ajustes fiscais anunciados pelo novo ministro da Fazenda Joaquim Levy.
“O próximo ano será difícil, mas traz boas perspectivas. O ministro Joaquim Levy, em seu primeiro pronunciamento, afirmou que pretende manter metas realistas e anunciou um superávit primário de 1,2% do PIB para 2015 e de 2% para 2016. Com os ajustes prometidos entendemos que o ano de 2015 vai nos habilitar para voltar a crescer em 2016”, afirma Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio/SP).
De acordo com estimativas da entidade para o ano que vem, o índice oficial de inflação (IPCA) ficará em torno de 6%, ante os 6,5% previstos para este ano, enquanto a taxa Selic deve atingir 12%. A cotação do dólar continuará pressionada e deve fechar o ano em R$ 2,60, ante a expectativa de R$ 2,50 para o fim de 2014. O PIB, por sua vez, deverá crescer 1% — a alta esperada para 2014 é de apenas 0,5%. A produção industrial, depois de encolher 3% em 2014, deve subir 1% em 2015.
“Este ano deveremos registrar um crescimento real próximo de zero e esperamos repetir o resultado em 2015. As instituições financeiras continuarão exigentes na liberação de crédito, enquanto o emprego e renda devem crescer pouco. Embora o nível de endividamento das famílias esteja em queda há vários meses, não esperamos muito entusiasmo pelas compras por parte do consumidor”, diz o economista. Segundo Pina, o saldo das operações de crédito com recursos livres deve subir 5% em 2014 e encerrar 2015 sem variação. A proporção de famílias endividadas deve cair de 54,7%, em janeiro, para 44%, em dezembro e de famílias inadimplentes tende a cair para 12,5%.
De acordo a Fecomercio/SP, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) deve recuar 19,1% até o fim do ano, em relação a 2013, A queda na confiança do empresário varejista foi de 9,2%. Pina aposta em recuperação lenta das contratações em 2015: em 2013 houve alta de 1,3%, enquanto este ano o avanço deverá ser de apenas 0,7%.