Indústria de plásticos prevê crescimento de 1% em 2015

Segundo a Abiplast, devido à queda de atividade econômica em 2014, o setor registrou redução de 2,7% na produção física, voltando ao mesmo patamar de 2010. O faturamento recuou 6,45% e o emprego -0,8%

Por O Dia

São Paulo - Contrariando as previsões otimistas de crescimento do início do ano, a produção de transformados de plásticos recuou 2,7% este ano em relação a 2013, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). No total, o setor atingiu 6,24 milhões de toneladas, contra um volume de 6,42 milhões no ano passado, voltando ao mesmo patamar produtivo de 2010. No começo de 2014, a entidade estimou alta de 1,8% na produção. Em 2015, a previsão é de um incremento de 1% em relação a 2014.

“O resultado deste ano foi surpreendente, no sentido negativo. No final de 2013 acreditávamos no crescimento da produção, imaginando que a Copa iria impulsionar o consumo, mas nada disso se concretizou. Ao contrário dos últimos anos, a produção física caiu, sobretudo no segundo e no terceiro trimestres de 2014, períodos em que tradicionalmente registramos os maiores volumes produtivos”, afirma José Roriz Coelho, presidente da Abiplast, mencionando que o desempenho do setor reflete a queda de atividade industrial este ano e a retração da demanda no mercado interno. “A percepção da crise econômica do país esfriou o consumo”, analisa.

De acordo com Coelho, o valor da produção de transformados de plásticos registrou queda de 6,4%, enquanto o consumo aparente caiu 1,7%. O faturamento global do setor atingiu patamar semelhante ao de 2011, somando R$ 66,6 bilhões — 6,45% menor que o obtido em 2013. No saldo de admissões e demissões, o setor de plásticos cortou cerca de 3 mil postos de trabalho este ano, mantendo um estoque de mão de obra formada por 353 mil trabalhadores — um número 0,8% inferior ao mantido em 2013. “Quando as empresas do setor começam a desempregar, é porque estão com capacidade produtiva ociosa. E o número de demissões só não foi maior por causa da desoneração da folha de pagamentos promovida pelo governo”, ressalta.

Segundo o presidente da Abiplast, as exportações do setor recuaram 3,4% em volume em 2014, atingindo 238 mil toneladas, e também registraram queda de receita de 1,4%, totalizando US$ 1,38 bilhão. Já as importações cresceram 6% em volume e 3% no faturamento, somando US$ 3,96 bilhões, aumentando ainda mais o déficit na balança comercial dos transformados de plásticos. A queda nas vendas externas se deve às remessas para a Argentina, principal mercado dos produtos de plástico brasileiros que caiu 4% este ano. “Esse recuo se deve a dois fatores: a queda de consumo do país vizinho e a perda de competitividade da indústria nacional”, frisa Coelho, mencionando que é muito difícil competir no mercado internacional, porque o Brasil detém as maiores taxas médias de juro, uma das maiores cargas tributárias e os custos com mão de obras são crescentes.

Depois das expectativas frustradas, a Abiplast tem previsões mais conservadoras para 2015. Estima estabilidade de faturamento sobre 2014; crescimento de 2% no emprego; e taxa de 0,5% no crescimento das exportações. Aposta também num aumento de 6% nas importações, que contribuirá para elevar em 8% o déficit da balança comercial de plásticos transformados e o crescimento de 2% no volume de consumo aparente, somando 6,9 milhões de toneladas num valor total de mercado de cerca de R$ 76 bilhões.

Para Coelho, em 2015 é possível que o setor industrial retome o processo de recuperação, dependendo dos ajustes do governo, apesar do aumento previsto nos custos com energia, escassez de recursos hídricos e baixo crescimento do PIB. “O aumento da tarifa de energia deve abrir oportunidades para o setor de plástico porque, embora o insumo tenha impacto nos nossos custos, tem impacto ainda maior nos custos da produção de alumínio e vidro, favorecendo a substituição”, diz.

O presidente da Abiplast diz que, apesar da queda nos preços internacionais da nafta e do petróleo e da valorização do real frente ao dólar, não é esperado um aumento nas exportações, nem um queda no preço dos produtos de plástico, porque o preço das resinas tem aumentado muito.

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