Após um 2014 muito ruim, indústria pouco espera de 2015

Prevendo ajustes duros, associações acreditam em “voltar aos trilhos”, mas não em uma recuperação do setor

Por bruno.dutra

São Paulo - Todos os setores da indústria que já anunciaram seu balanço anual e projeções para 2015 confirmam que fecharão 2014 com queda na produção e no faturamento. E, tendo em vista os ajustes que a nova equipe econômica promete fazer, o próximo ano não deve ser muito diferente.

A projeção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é encerrar 2014 com menos 150 mil vagas. Só no Estado de São Paulo serão 100 mil vagas fechadas, reflexo direto da queda de 5,4% na atividade da indústria paulista. E, segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, as perspectivas para 2015 seguem sem brilho.

Pelas projeções da Federação, o prognóstico para 2015 é de arrefecimento, com taxa negativa prevista em 1% na atividade. Já o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria deve apresentar um ligeiro aumento de 0,1% em 2015, após cair 1,7% em 2014. Para Skaf, não há muito a comemorar. “Vamos sair de um ano sem crescimento, com queda na indústria, e entrar em outro ano com resultado não muito diferente”.

Opinião semelhante tem o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho. Embora reconheça que 2015 poderá ser o ano em que a indústria inicie sua recuperação, ele lembra que o setor ainda enfrentará problemas relacionados a energia, água e baixo crescimento do país. Além disso, falta a definição da política econômica e industrial da nova equipe econômica, que deve inibir uma expansão arrojada. Não à toa, a projeção do setor para 2015 é de incremento de 1% na produção de transformados de plásticos, após amargar queda de 2,7% neste ano, voltando ao patamar de 2010, para 6,24 milhões de toneladas, contra um volume de 6,42 milhões em 2013.

O setor automotivo também foi muito prejudicado neste ano e projeta uma queda de 5,4% nas vendas. E o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, admite a possibilidade de esse número ficar ainda mais baixo. Por isso mesmo, a associação só fará projeções para 2015, em janeiro, quando terá os dados fechados deste ano. “A simples manutenção das vendas em igual patamar do segundo semestre deste ano já implica vendas maiores no próximo”, afirma Moan. De julho a novembro, as vendas do setor subiram 5,7% na comparação com o primeiro semestre de 2014, e a produção aumentou 5,5%.

Início de obras de concessões pode ajudar recuperação

Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover acredita que em 2015 o setor, que deve sofrer uma queda real no faturamento de 5% neste ano, poderá ter alguma recuperação. O programa Minha Casa Minha Vida deve dar o empurrão. Ele lembra que a presidenta Dilma Rousseff prometeu dobrar a quantidade de entregas anuais, das atuais 400 mil unidades para 800 mil. “O programa já representa 7% de toda a venda da indústria de material de construção”, diz.

Outro fator que pode ajudar são as obras de infraestrutura. “As concessões de 2013 e 2014 devem começar no próximo ano suas obras, o que vai dar um novo fôlego ao setor, a exemplo do que ocorreu neste ano. Afinal, infraestrutura foi o único segmento que teve algum crescimento, embora não o suficiente para segurar o faturamento geral”, afirma Cover.

Já o presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastorizza, diz que o setor deve ganhar algum fôlego no segundo semestre. “E isso se a presidente Dilma der demonstrações efetivas de desejo de mudança nos primeiros meses”, diz ele, referindo-se às reformas política e tributária, que, afirma, ajudariam a diminuir o custo-Brasil e aumentar a confiança e assim, retormar investimentos.

O setor deve amargar em 2014 uma queda de 15% no faturamento real. “Este é o terceiro ano seguido de retração do faturamento do nosso setor. O pior é que não estamos perdendo market share (participação), o que prova que o empresário está na verdade deixando de investir, e isso é ruim, porque, sem investimento, não há crescimento econômico”, afirma.

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