Por bruno.dutra
Rio - A ampliação do prazo médio para o pagamento de crédito concedido a pessoas físicas deu fôlego ao comércio, garantindo parte considerável da expansão das vendas obtidas na passagem de outubro para novembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo restrito atingiu o quarto resultado positivo consecutivo de 2014, com um crescimento de 0,9% em novembro, e o ampliado teve alta de 1,2%. Mas, no ano, o setor se aproxima de um resultado tímido, com crescimento de 2,4%, o menor desde 2003. Para 2015, as perspectivas não são muito animadores. Empresários estimam expansão de 3%.
Em novembro, o prazo médio para quitação de recursos de crédito à pessoa física, segundo o Banco Central (BC), passou para 52,4 meses. Em setembro, o prazo era de 47,9 meses e em outubro, de 52,2 meses. “A prestação ficou suavizada por um número maior de <CW-30>parcelas, apesar de os juros continuarem altos”, observa o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes. “Segundo o BC, o crédito livre para pessoa física chegou a uma taxa de 44,2% ao ano em novembro. Sendo que, em outubro, tinha sido de 44% e em setembro de 42,8%. Houve um salto de encarecimento, mas o consumidor brasileiro não se importa se o preço total aumentou e sim se as parcelas do empréstimo cabem e caberão no bolso”, salienta Bentes.
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Estimulado pelo alongamento das parcelas, os bens duráveis registraram crescimento expressivo. No varejo de móveis e eletrodomésticos a expansão foi de 5,4%, ante ao crescimento de 0,8% em outubro. No segmento de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, o aumento nas vendas em novembro foi de 4,9%.
O especialista da CNC observa que a retração nos preços desses itens também ajudou a alavancar o movimento nas lojas. Segundo cálculos realizados pela equipe econômica da instituição, no varejo restrito, a inflação ficou em 0,5%, mas tantos os móveis e eletrodomésticos, quanto os equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação registraram deflação no período.
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“Em novembro, os preços de móveis e eletrodomésticos caíram 0,8% e os s equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação tiveram queda de 0,7%, o que contribuiu para as vendas”, diz Fabio Bentes.
Já o setor de veículos e motos, que acumula retração de 9,5% no ano, teve um empurrãozinho dos bancos em novembro, por meio da redução das taxas de juros, que saíram de 23% para 22,7%. Para Fabio Bentes, embora tímida, a redução nas taxas pode ter ajudado a impulsionar as vendas que, no mês, registraram aumento de 5,5%.
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A queda anual no varejo de veículos e motos levou o comércio ampliado — que inclui veículos e motos, partes e peças e material de construção — a acumular no ano retração de 1,6%, o pior resultado da série histórica do IBGE, iniciada em 2004. Quando se compara janeiro a novembro de 2014 a igual período de 2013, percebe-se que a desaceleração nas vendas atingiu 11 dos 12 estados onde há esse detalhamento pelo IBGE. Em São Paulo, o comércio de veículos registrou queda de 22,4% no período; no Paraná a retração foi de 10,9%;no Espírito Santo, 9,2%, em Goiás, 7,0%, em Minas 5,9% e na, Bahia 5,9%.
“Com exceção do observado em Santa Catarina, onde essa atividade cresceu 2,1%, nos demais locais ela pressionou negativamente o resultado geral para o Comércio”, analisa o consultor da Fundação Getulio Vargas, Silvio Sales.
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Economista da Fecomércio-RJ, Christian Travassos avalia que daqui até o segundo semestre, o varejo terá de se contentar com menores vendas: “O varejo vai precisar se convencer que o crescimento está mais baixo e deve permanecer assim no primeiro semestre, até que os ajustes da nova equipe econômica surtam efeitos”.