Por bruno.dutra
São Paulo - Este promete ser o ano em que a suinocultura deve se consolidar como importante canal do agronegócio brasileiro. Desde o segundo semestre do ano passado a demanda por carne suína tem apresentado resultados positivos, com queda nos custos e melhora na renda para o produtor. Seguindo esse cenário, a perspectiva para o ano é de crescimento de 3,5% na produção nacional, baseada especialmente na alta das exportações.
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a expansão deverá vir da manutenção de volumes vendidos para a Rússia e a perspectiva de abertura de novos mercados, como Coreia do Sul, México e Canadá. Já o Rabobank aponta ainda a oportunidade de consolidação em mercados pouco explorados, como Japão — maior importador mundial — e Estados Unidos, que voltaram a comprar do Brasil no final do ano passado.
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“A venda para os Estados Unidos, embora em pequeno volume, funciona como uma carta de apresentação e traz um efeito psicológico positivo que pode beneficiar na negociação com outros países”, afirma o analista sênior do Rabobank Brasil para proteína animal, Adolfo Fontes. Ele explica que o fato de os Estados Unidos só adquirirem o produto de países com áreas livres de febre aftosa sem vacinação, serve como um atestado de idoneidade para o país que vende.
“Isso traz o aval de um país que é extremamente exigente e melhora as negociações com outros mercados em que o Brasil quer entrar. A venda para o mercado americano traz um status de alta qualidade que pode ter consequências muito positivas aos nossos exportadores”, afirma Fontes.
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Segundo Fontes, confirmadas essas expectativas, a exportação brasileira de carne suína deve crescer entre 13% e 15% em relação a 2014, volume bastante acima do registrado no ano passado, com queda de 4% em relação a 2013. Ainda assim, o faturamento teve expansão de cerca de 20%.
“Em 2014, a queda no volume exportado foi compensada pelo câmbio e por problemas enfrentados por concorrentes internacionais: a redução na oferta mundial permitiu uma melhora no preço final”, afirma o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) Helio Sirimarco.
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Ele lembra que, em 2014, a redução nos custos pela queda no preço de grãos, base da alimentação dos suínos, foi outro fator que colaborou para a melhora dos preços. Isso, diz, trouxe de volta produtores que tinham abandonado o setor em 2012, quando o custo de produção ficou muito acima do valor pago ao criador.
Embora concorde que o ano seja de boas perspectivas para o setor, Sirimarco espera custos de produção um pouco maiores do que no ano passado e preços domésticos do suíno semelhantes ou, dependendo do momento, um pouco abaixo dos níveis de 2014.
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“A formação desses preços se dará no contexto de aumento da produção e das demandas externa e interna, combinados com câmbio. Embora se vislumbre um cenário positivo, a recomendação é que o produtor tenha o pé no chão, sem estímulo exagerado na produção, para não derrubar os preços”, afirma Sirimarco.
Ele lembra que, embora o estoque de milho esteja elevado neste início de ano, o cereal é a base do etanol nos Estados Unidos, usado na mistura de combustível. “Com a queda do preço de petróleo, haverá aumento de consumo de gasolina e assim, da demanda por milho para a mistura no combustível, o que pode elevar um pouco o preço e assim, o custo do produto para alimentação da criação.”
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De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, entretanto, os preços iniciaram o ano em alta por conta da oferta restrita de animais para abate.