Por monica.lima

Rio - A perda de fôlego da construção civil, da indústria automobilística e de bens de capital ao longo de 2014 pesaram negativamente para o desempenho da produção física da indústria metalúrgica, levando o setor a fechar o ano com retração de 7,4%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mau resultado foi pior do que o da indústria geral, com queda no acumulado do ano de 3,2%. Para analistas, a apreciação do dólar frente ao real — o patamar ideal é R$ 2,90 — e a recuperação da economia americana, grande comprador de aço brasileiro, podem trazer um alívio à metalurgia este ano, visto que, pelo lado da demanda doméstica, 2015 será mais um ano de resultados ruins.

Em 2014, a produção acumulada de aço bruto totalizou 33,9 milhões de toneladas e de laminados, 24,8 milhões de toneladas, o que representou retração de 0,7% e 5,5%, respectivamente, sobre o mesmo período de 2013. De acordo com a Aço Brasil, entidade que representa os fabricantes do setor, o consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos também encolheu em 2014, totalizando 24,6 milhões de toneladas de janeiro a dezembro, retração de 6,8% frente a igual período de 2013.
Maior consumidor do produto no país, com uma participação de 36,7%, a construção civil foi uma das responsáveis pela desaceleração da metalurgia. A atividade que cresceu 4,3%, entre 2004 e 2013, teve queda de 3,3% na produção nos últimos 12 meses até setembro de 2014. E as perspectivas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam que o setor deve encerrar o ano com uma queda superior a 5%. Mas o desaquecimento da atividade pode persistir ainda em 2015, em função das perspectivas de redução de investimentos públicos em obras de infraestrutura.

Outros dois grandes demandantes de aço nacional, a indústria automobilística e de bens de capital, desaceleraram em 2014 e reduziram suas compras. A primeira registrou retração na produção de 16,8%, segundo dados do IBGE, e a segunda, teve queda de 9,6%. Economista do Itaú Unibanco e especialista do setor, Irineu Evangelista de Carvalho avalia que 2015 será mais um ano difícil para a indústria metalúrgica.

“Durante a década passada até 2010, tivemos um crescimento rápido no consumo de aço, com expansão do setor automobilístico, construção civil, linha branca e eletrodomésticos. Mas, cada um desses setores desacelerou em 2014 e as perspectivas são de mais um ano muito fraco”, diz.
Segundo o economista, diante do cenário doméstico adverso, a exportação foi e continuará sendo mais que uma válvula de escape para o setor. Dados da Aço Brasil mostram que, de janeiro a dezembro de 2014, as exportações de aço somaram 9,8 milhões de toneladas e US$ 6,8 bilhões, representando um crescimento de 20,9% em volume e um aumento de 22,3% em valor, quando comparados ao mesmo período de 2013.

“Se o real continuar perdendo valor frente ao dólar, dará um alívio ao setor. O nosso cenário base é a moeda americana a R$ 2,90, o que seria um alento para a competitividade geral da indústria brasileira e, em especial, para a metalurgia”, afirma Irineu Evangelista de Carvalho.

O especialista acrescenta que a recuperação da economia americana também poderia vir a contribuir, ainda mais, para amenizar os impactos da desaceleração da demanda interna. “O principal demandante de aço é o mercado doméstico, mas o consumo deve ser fraco este ano. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai contrair a 0,5% em 2015. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos são um país aberto, onde a indústria brasileira exporta bem e tem facilidade de penetrar”, acrescenta. 

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