Por monica.lima

Brasília - Os brasileiros estão com mais dificuldade para pagar as contas dos serviços básicos residenciais. Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que a inadimplência cresceu 8,35% nas contas de água e luz em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Nos serviços de comunicação, como TV por assinatura e internet, também o número de calotes aumentou bem acima da média, alcançando 9,84% no período. No geral, o número de inadimplentes no país cresceu 3,12%.

A tendência, no caso das contas residenciais, é de continuidade do aumento de calotes por conta da pressão inflacionária exercida, especialmente, pelos custos da energia elétrica no país. A inadimplência maior é esperada nos atrasos até 90 dias em relação à data do vencimento pois, acima desse prazo, os serviços são cortados, o que faz com que o consumidor se esforce para efetuar os pagamentos.

“Prevemos que as contas de luz aumentarão 46% no ano, o que faz uma diferença significativa para as rendas mais baixas, principalmente. Pode haver um aumento da inadimplência nesse setor”, afirmou a analista da Tendências Consultoria, Adriana Molinari, que estima ainda um reajuste de 6,65% na conta de água. “Em 2015, esses bens não suprimíveis vão ocupar espaço maior no orçamento das famílias. Por isso, é preferível que o consumidor já reserve algum recurso a mais para essas contas, cortando outros serviços dispensáveis e a aquisição de bens duráveis e não duráveis, como eletrodomésticos e vestuário”, recomendou Molinari.

A expansão de 3,12% na inadimplência total é a menor desde 2010, o que poderia ser um sinal positivo, de maior capacidade de pagamento das dívidas. Segundo análise das duas entidades, no entanto, o arrefecimento dos calotes é um reflexo do cenário de fraca atividade econômica, em que menos consumidores estão conseguindo ter crédito aprovado.

“A inadimplência está desacelerando principalmente porque o consumidor está deixando de consumir a prazo”, avaliou o presidente da CNDL, Honório Pinheiro. Segundo ele, as vendas vêm recuando justamente nos setores mais dependentes do crédito, como materiais de construção. “Os bancos e os estabelecimentos comerciais passaram a ser mais seletivos e a conceder menos crédito ao consumidor, fato que tem como consequência a redução da quantidade de atrasos nas compras parceladas e nos pagamentos de dívidas”, acrescentou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

O mês de janeiro manteve a perda de fôlego também em relação ao crescimento da quantidade de dívidas em atraso, fazendo com que o indicador registrasse uma alta de 2,40%, em relação a janeiro do ano passado. Em dezembro de 2014, seguindo a mesma base de comparação, o crescimento havia sido de 3,19%. Com bases nesses dados, o SPC Brasil calcula uma média de 2,07 dívidas para cada devedor inadimplente. Essa média é a menor já registrada pela série histórica, iniciada em 2010.

Com o arrefecimento do crédito, houve retração de 0,54% do número de dívidas ligadas ao comércio, a terceira queda anual consecutiva do setor. O varejo, contudo, ainda possui uma participação de 20,6% no total de dívidas em atraso no Brasil, sendo superado apenas pelos bancos, cuja fatia é de 47,62%. Os setores de comunicação e de água e luz aparecem com uma participação de 15,10% e 7,07% no total.

Você pode gostar