Joaquim Levy já admite retração da economia brasileira em 2015

Em sua primeira apresentação no exterior, ministro tenta passar confiança a investidores em Nova York e reforça nova política fiscal. Para ele, país está “lançando bases para novo ciclo de crescimento”

Por O Dia

Rio - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu ontem que a economia brasileira pode apresentar retração em 2015. Em encontro com investidores em Nova York, ele defendeu a política de ajuste fiscal como uma maneira para o país entrar em um “novo ciclo de crescimento”. “Estamos apenas deixando de lado estas medidas anti-cíclicas, e isso vai nos colocar em situação melhor”, disse ele em sua primeira apresentação a investidores fora do Brasil.

“Estamos num ritmo mais fraco mais recentemente. Nós todos lamentamos que o crescimento tenha desacelerado, e talvez este ano fique mesmo negativo, porque alguns grandes investimentos declinaram”, reconheceu o ministro.

Até agora, a projeção oficial do governo aponta crescimento de 0,8%. Ele afirmou, porém, estar confiante na economia brasileira, apesar de compreender os temores dos investidores.

“Não estou fazendo de conta que vocês não deveriam estar preocupados com a situação fiscal”, disse. “Estou confiante que nós iremos colocar a casa em ordem e voltaremos ao caminho do crescimento.”

O déficit fiscal do Brasil aumentou, se tornando um dos maiores do mundo, ampliando o risco de que o país possa perder sua classificação de grau de investimento por agências de rating.

Uma série de desonerações tributárias e gastos custaram ao governo federal R$ 104 bilhões em receita no ano passado, ou cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), disse o ministro. O governo já aumentou impostos e limitou os gastos públicos para cobrir o déficit orçamentário total, que inclui o custo do serviço da dívida e dobrou no ano passado para 6,7% do PIB — um dos maiores entre as grandes economias, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Levy terá desafios relevantes para melhorar as contas públicas do Brasil. Um deles será convencer o Congresso Nacional a aprovar uma controversa série de mudanças nas regras de acesso a benefícios trabalhistas, como seguro-desemprego e abono salarial, com as quais o governo espera economizar cerca de R$ 18 bilhões por ano. Aos investidores, o ministro comentou estar confiante de que o governo terá o apoio adequado do Congresso para aprovação de medidas necessárias para realizar o ajuste fiscal.

“Estamos lançando as bases para um novo ciclo de crescimento. O ciclo das matérias-primas acabou”, disse ele. “Se você tem a casa em ordem, o setor privado encontrará novas oportunidades e voltaremos ao crescimento.”

O ministro defendeu os gastos públicos das receitas “do bônus das commodities” nos últimos anos. “Não gastamos de maneira inadequada os bônus das matérias-primas. A maior parte utilizamos para melhorar a educação, transformar a sociedade”, afirmou Levy. Entre as principais mudanças registradas no Brasil na última década, Levy destacou o crescimento do número de estudantes universitários, que aumentou 60% entre 2006 e 2014.

Petrobras "superará seus problemas", diz ministro

Em meio ao escândalo de corrupção que abala a Petrobras, o ministro expressou confiança de que a gigante estatal de energia “superará todos os problemas em suas contas”. “É uma situação incomum”, disse ele, garantindo que a nova diretoria da empresa, liderada pelo ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, está determinada a “virar” a página.

O ministro da Fazenda observou que a produção nacional de petróleo registrou recuperação no ano passado e defendeu a transparência das empresas brasileiras, indicando que há “um nível bastante singular de abertura” no país. A Petrobras anunciou na semana passada que irá apresentar seu balanço auditado de 2014 no final de maio.

Com agências

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