Por parroyo

A Grécia vai apresentar seus planos de reforma econômica nesta segunda-feira para garantir o socorro financeiro da zona do euro, mas o governo recebeu críticas de um veterano de esquerda e membro do partido da coalizão, para quem o acordo decepcionou os eleitores.

A Alemanha, maior contribuidora dos dois pacotes de ajuda à Grécia no total de € 240 bilhões de, afirmou que qualquer gasto adicional na lista de reformas de Atenas tem que ser compensado por economias ou impostos mais altos.

Após uma visita a Bruxelas para obter um pacto condicional de quatro meses, o gabinete do primeiro-ministro, Alexis Tsipras, declarou que pelo menos a lista de reformas será decidida pelos gregos, ao contrário das políticas de austeridade ditadas por credores estrangeiros desde que estes prestaram socorro financeiro a Atenas em 2010.

“A lista incluirá uma série de reformas que o governo grego irá propor – e enfatizo isso”, afirmou o porta-voz do governo, Gabriel Sakellaridis. “Acima de tudo, elas serão reformas socialmente justas com a meta de combater a evasão fiscal, combater a corrupção”, afirmou ele à rede de televisão Skai.

Dizendo que a lista será enviada a Bruxelas antes do final sesta segunda-feira, Sakellaridis deixou claro que Atenas está ansiosa para evitar quaisquer tropeços de última hora de forma a assegurar o financiamento necessário para manter a Grécia à tona e também evitar uma saída da zona do euro.

“Almejamos que a lista seja aceita pelos parceiros. É por isso que há consultas e discussões com os parceiros, para que haja uma solução mutuamente benéfica”, acrescentou.

Tsipras cantou vitória no acordo de sexta-feira passada, que depende de os credores europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI) aceitarem as propostas de reforma da Grécia, embora tenha tido que aceitar uma prorrogação do programa de resgate que havia prometido eliminar.

O premiê recebeu críticas contundentes do veterano esquerdista Manolis Glezos, membro de seu partido, o Syriza, no Parlamento Europeu, que atacou sua incapacidade de cumprir as promessas de campanha do partido e disse que só mudar as palavras antes incendiária do acordo não irá apaziguar a população.

O pacto renomeou os inspetores da desprezada "troika" –Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI–, que monitoram o cumprimento dos compromissos grego no socorro financeiro, como "as três instituições".

“Renomear a troika como ‘instituições’, o resgate como um ‘acordo’ e os credores como ‘parceiros’... não muda a situação anterior”, escreveu Glezos.

As medidas, que o Eurogrupo de ministros das Finanças da zona do euro irá analisar em uma teleconferência, objetivam aumentar as receitas de maneiras que favoreçam o Syriza, como taxar os mais ricos e lidar com a evasão fiscal e a corrupção.

Após uma série de reuniões tensas do Eurogrupo, os credores internacionais irão examinar em minúcias as reformas para ter certeza de que cumprem outra das concessões gregas – que nada que seja feito durante os quatro meses condicionais sobrecarregue o orçamento do Estado.

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