Por monica.lima

Valendo-se da riqueza geológica do país e de iniciativa empresarial, o mercado brasileiro de rochas processadas está em alta. Em 11 anos, o país saltou da 13ª para a 4ª colocação no ranking dos países que mais consomem rochas naturais no mundo. Somente em 2014, as exportações do setor somaram US$ 1,22 bilhão, valor que corresponde a 2,55 milhões de toneladas de rochas. O crescimento se justifica. O mercado brasileiro modernizou seu parque industrial, tornando-se o 3º maior importador de tecnologia no setor. O desafio, agora, é agregar valor à produção.

No contexto de crescimento e modernização do processo produtivo brasileiro, destaca-se o protagonismo do Espírito Santo — responsável por 88,5% das exportações brasileiras no ano passado. Dos 1,5 mil teares de granito instalados no Brasil, cerca de 1,2 mil estão no estado, que abriga quase mil pedreiras ativas e produz 5 milhões de toneladas por ano.

Integrante do Conselho Efetivo do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas), o empresário capixaba José Antonio Guidoni explica que a modernização do processo produtivo alavancou o mercado de rochas capixaba. “Primeiramente, foram implementados os avanços desenvolvidos no Brasil. Depois, houve um avanço no processo de beneficiamento, usando teares multifios, por exemplo. Só isso reduziu o tempo dessa etapa de 60 para seis horas” diz.

Os tratamentos de superfície de chapas, acrescenta Guidoni, geraram uma redução de 15 dias para algumas horas no processo. Ele destaca também o fomento governamental: “Por meio da contribuição que a Apex dá para os segmentos produtivos, o setor de rochas é contemplado com recursos para ajudar a fomentar suas atividades. Sem falar no investimento em mercado, com o Brasil participando de muitos eventos”.

Nem tudo, entretanto, é reluzente no setor. O Brasil ainda exporta, majoritariamente, rochas em estado bruto, enquanto o valor de comercialização das rochas acabadas e sob medida é dez vezes superior ao das rochas brutas. Cerca de 35% das importações americanas são compostas por esse tipo de produto, tendo como principais fornecedores a China e a Itália.

O representante da Centrorochas comenta as dificuldades técnicas enfrentadas pelos empresários brasileiros. “Os marmoristas, em cada cidade pequena e grande, não têm qualidade de serviço para fazer sob medida os acabamentos de borda. Precisa-se qualificar os profissionais nessas pequenas marmorarias. Mesmo as grandes empresas do setor de granito que se estruturaram para produzir blocos e chapas não se prepararam para o sob medida”, critica, acrescentando que o setor se prepara para promover uma “geração de demanda”.

O mercado é dividido em dois grandes grupos: granitos e mármores. O principal atributo de valoração de uma rocha é a cor ou padrão cromático, seguido pelo aspecto textural e o desenho de suas estruturas. O Brasil se destaca justamente pela extração de rochas de cores claras, consideradas exóticas no cenário global.

Colaborou o estagiário João Pedro Soares

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