Por monica.lima

São Paulo - As vendas do varejo paulista registraram queda de faturamento de 4,6% — redução de R$ 2,6 bilhões — em dezembro de 2014 em comparação com o mês anterior, segundo a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Fecomercio-SP, fechando o mês em R$ 52,6 bilhões.

“Considerando a série histórica da Secretaria da Fazenda de São Paulo, as vendas de Natal do ano passado foram as piores desde 2008”, afirma Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomercio-SP.

Em 2014, o comércio paulista faturou 2,8% a menos do que o registrado no ano anterior, com volume anual de receita de R$ 530,6 bilhões — R$ 15,3 bilhões abaixo do que o obtido em 2013.

Entre as nove principais atividades varejistas, seis tiveram variação negativa de crescimento da receita, mas as principais quedas foram registradas pelas concessionárias de veículos, com recuo de 16,3%, e pelas lojas de eletroeletrônicos, com 16,1%. As lojas de departamentos tiveram queda de 7,9% e as de materiais de construção, de 6,2%.

Entre os segmentos que registraram alta de receita estão as Farmácias e Perfumarias, com variação positiva de 6,5%, e os supermercados, com 2,2%.

“De uma forma geral, as vendas de bens duráveis caíram 13% no ano, enquanto as de bens não duráveis subiram 3%, em média. Desde o início do ano, os empresários lojistas percebiam uma tendência de queda de desempenho por causa da alta da inflação e da baixa expectativa de crescimento da economia brasileira. Essas duas variáveis levaram as famílias a pisarem no freio do consumo, evitando contrair dívidas no crédito que pudessem comprometer seus orçamentos ao longo do ano”, explica Carvalho.

Segundo ele, uma das consequências da retração do consumo doméstico foi a diminuição gradativa do endividamento das famílias, que permaneceu com tendência de baixa em 2014, mas agora apresenta viés de alta no começo de 2015. “Agora o endividamento das famílias está relacionado à falta de capacidade de pagamento, sobretudo no longo prazo, por causa da alta da taxa básica de juros.”

Na opinião do economista, o aumento nas receitas dos bens de consumo não é explicado pelo aumento no volume de vendas, mas sim pelo aumento dos preços. Para Carvalho, as vendas do comércio paulista foram também prejudicadas pelo fim do ciclo de investimentos em infraestrutura da Copa do Mundo e pela diminuição dos dias úteis, por causa do calendário do Mundial. “Houve uma queda no valor da renda agregada e ao mesmo tempo o consumidor deixou de ir às compras e até de circular nas ruas por medo das manifestações contra a Copa”, ressalta.

Segundo Carvalho, o desempenho de 2014 ficou abaixo das expectativas do setor, que previa queda de 2%. “Este ano, o comércio está ainda mais pessimista por causa da piora do cenário político e econômico. Além da inflação e do câmbio mais altos, há ainda o aumento do endividamento das famílias e a expectativa de aumento do desemprego. Por isso, estimamos um recuo anual de 3%”, afirma.

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