Micro e pequenas empresas serão próximos alvos da crise, dizem analistas

Salvo da recessão por enquanto, segmento foi responsável por gerar 526 mil empregos em 2014

Por O Dia

Rio - As micro e pequenas empresas ainda mantêm vigor diante da recessão que começou a abalar o país no segundo semestre do ano passado — quando geraram 526 mil vagas formais de emprego. Um resultado que vai na contramão do momento vivido pelas médias e grandes companhias, que em 2014 tiveram as demissões superando as admissões, levando a um saldo negativo de 386.282 postos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), compilados pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas — Sebrae. Para analistas, o bom momento vivido pelos pequenos empresários, no entanto, deverá se esgotar.

“O aumento do desemprego no país e a queda do poder de compra dos trabalhadores não deve deixar as micro e pequenas empresas de fora dessa crise”, aponta João Saboia, professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro — IE/UFRJ. Na última semana, a Pnad Contínua Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em fevereiro saltou para 7,4% e superou variação de igual período de 2014, em 6,8%. Já o rendimento médio real habitual da população ocupada cresceu menos, 1,1% no trimestre dez-fev/2015 frente a dez-fev/2014. No trimestre móvel finalizado em janeiro de 2015, comparado ao mesmo trimestre encerrado em janeiro de 2014, a expansão havia sido de 2,1%.

“Enquanto as grandes empresas têm mais folga para demitir, pois contam com mais mão de obra, as micro e pequenas têm menos espaço para ajustes e postergam demissões. Mas acredito que, neste ano, não haverá escapatória”, acrescenta Saboia.

Segundo dados do Sebrae, 71,2% do pessoal ocupado em micro empresas e 58% em pequenas empresas atuam no comércio e nos serviços. Segmentos que, embora tenham perdido fôlego nos últimos anos, ainda mantêm taxas positivas de crescimento. Os serviços fecharam 2014 com expansão de 6% na receita nominal, de acordo com o IBGE. No comércio, em igual período, as vendas registraram crescimento de 2,2% no varejo restrito, e retração de 1,7% no ampliado, que inclui o setor de construção civil e veículos e motos, partes e peças.

Economista-chefe da Opus Investimento e professor da PUC-Rio, José Márcio Camargo afirma que as recessões costumam abalar, primeiramente, os setores indutores de crescimento, como a indústria e a construção civil, deixando em segundo plano os chamados seguidores da atividade econômica, o comércio e os serviços: “Logo, se a situação do mercado de trabalho se mantiver nessa trajetória, esses setores não serão poupados”, diz. “Uma grande parte das micro e pequenas empresas estão em serviços, onde a recessão não chegou com tanta força, ainda. Mas elas devem começar a ser afetadas a partir do segundo semestre deste ano”, projeta o economista.

Para o Sebrae, apesar das perspectivas pouco otimistas dos economistas, a formalização de pequenos negócios deve continuar aquecida este ano, com boas projeções para os setores ligados à alimentação para consumo domiciliar, comércio de alimentos, reparos domésticos ( instalações elétricas, hidráulicas e de gás), estética e reparação de bens duráveis, como automóveis.

De acordo com o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, os negócios promissores para 2015 têm uma forte característica de atender às necessidades básicas da população, que têm adquirido novos hábitos nos últimos anos, como serviços e produtos que foram incorporados ao seu dia a dia.

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