Estoques elevados no varejo de São Paulo adiam retomada do crescimento

Mais de 35% dos comerciantes paulistanos consideram que depósitos estão com muito mais produtos do que o adequado

Por O Dia

São Paulo - Seguindo a tendência iniciada em dezembro, os estoques do varejo aumentaram em abril. O indicador que mede a percepção dos empresários em relação ao nível de estoques do comércio na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) caiu 4,5% este mês, ao passar de 103,9 pontos em março para 99,2. Divulgado ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Índice de Estoques (IE) varia de zero (inadequação total) a 200 pontos (adequação total).

“Está ocorrendo uma deterioração do cenário pelo pior motivo, que é a falta de venda”, disse o economista Fabio Pina, da FecomercioSP. Segundo ele, ninguém esperava um ano bom, por isso, mesmo os comerciantes já estavam fazendo suas encomendas dentro do que esperavam que seria vendido. “Mas o dia a dia de vendas está se mostrando pior do que as projeções iniciais”, ressaltou.

Tanto é assim que a proporção de empresários que considera o seu estoque elevado demais é de 35,5%, a maior desde junho de 2011, quando a pesquisa começou a ser realizada. Ao mesmo tempo, houve queda na proporção de empresários que percebem seus estoques abaixo do adequado, de 15,6% em março para 14,6% em abril. “Considerando a série histórica, essa é a maior distância entre quem considera o estoque alto e quem acha que está baixo”, disse Pina, acrescentando que a desaceleração da economia e das vendas está se acentuando, o que reduz a confiança dos empresários e sinaliza que cada vez mais eles terão que reajustar os estoques para baixo. Nem mesmo as datas comemorativas — que são relevantes para o varejo — devem ajudar neste ano. O primeiro teste, com a Páscoa, foi decepcionante: segundo dados da Boa Vista SCPC, as vendas caíram 0,3% em comparação com a Páscoa de 2014.

Alguns poucos setores ainda resistem

Por enquanto, os poucos setores que ainda apresentam algum fôlego são supermercados, alimentos e bebidas de maneira geral,combustíveis e lubrificantes e artigos farmacêuticos.
As vendas de medicamentos, por exemplo, cresceram 12% no primeiro trimestre deste ano, para R$ 10,7 bilhões segundo dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Ainda assim, veio abaixo da expansão de 14% de igual período de 2014. “São todos setores ligados a bens essenciais, que o consumidor não tem como deixar de adquirir. É o oposto do que ocorre com bens duráveis, que não param de ter retração”, disse Pina.

Para o economista, não há nada no curto prazo que aponte para uma mudança de rumo. Ele lembra que a queda nas vendas desanima os varejistas e torna o giro de estoques lento e custoso para as empresas. “Não bastasse isso, o custo dos estoques está aumentando mês a mês por conta da elevação contínua dos juros bancários”.

Na avaliação da FecomercioSP, a economia brasileira atravessa um dos piores momentos dos últimos 20 anos, principalmente o varejo, que se habituou às altas taxas de crescimento, motivadas pela nova classe média — exatamente o grupo mais atingido agora pela alta dos preços e pelo fantasma do desemprego. Assim, avaliam, é pouco provável que haja recuperação em 2015.

“O jeito é torcer para que o ajuste saia logo, para arrumar a casa e no ano que vem tentarmos sair da crise”, disse Pina.

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