Por monica.lima

São Paulo - A proposta de flexibilização da política de conteúdo local no setor de petróleo e gás nos próximos leilões da ANP foi mal acolhida pelas lideranças da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo Carlos Pastoriza, presidente da entidade, se o governo federal lançar mão da medida, estará condenando o Brasil ao papel de mero exportador de commodities e de gerador de riquezas em outros países. “Somos contra a flexibilização. Para mim, é querer encontrar culpado, querer justificar incompetências de várias ordens. Se quiserem preservar um pouco da cadeia produtiva, não podem flexibilizar, pelo contrário, tem de aperfeiçoar os mecanismos existentes e ampliar a fiscalização e o controle. Sem isso, o Brasil ficará igual à Venezuela e a Nigéria — cuja produção de petróleo não gera riquezas nos países”, argumentou.

Pastoriza reagiu às declarações do ministro Eduardo Braga, das Minas e Energia, que acenou com mudanças nas medidas de proteção às empresas brasileiras, durante o evento Offshore Technology Conference, realizado na segunda-feira em Houston, EUA, para um grupo de investidores do setor petrolífero. De acordo com o presidente da Abimaq, a atual política de conteúdo local deveria ser aprimorada, porque na prática a indústria nacional foi beneficiada com apenas 4% dos investimentos do setor de petróleo e gás.

Pastoriza anunciou alta de 16,8% no faturamento da indústria brasileira de bens de capital em março, no comparativo com fevereiro. Em relação a março de 2014, o índice positivo de crescimento foi 8,7%. A Abimaq atribuiu esse aumento às exportações, já que as vendas no mercado interno recuaram 16,8% no período entre fevereiro e março. “Registramos incremento de 55,9% nas receitas das exportações em março, que alcançaram o montante de US$ 1,2 bilhão contra a média de US$ 700 milhões no primeiros dois meses do ano por causa da valorização do dólar e não por causa de um aumento das encomendas no mercado externo”, frisou Mario Bernardini, diretor de Competitividade da Abimaq, explicando que a alta do dólar fez com que a participação das exportações no faturamento do setor saltasse de 30% para 50% no primeiro trimestre ano, mas que o efeito cambial deve se diluir nos próximos meses. No trimestre, as vendas externas somaram US$ 2,8 bilhões — montante 11,9% inferior ao registrado no mesmo período de 2014.

Por outro lado, as importações também avançaram 19,1% em março, no comparativo com fevereiro, mas registraram queda de 7,1% em relação a março de 2014. No trimestre, a importação de máquinas e equipamentos somou US$ 6,6 bilhões em divisas, um resultado 12,7% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor encerrou março em 69,7%, uma queda de 0,3% ante fevereiro e uma retração de 8,8% na comparação com março de 2014. Houve uma redução de 1,1% no contingente de mão de obra do setor de fevereiro para março.

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