Abimaq desconfia de investimento chinês no Brasil

Instituição critica China por mudar modelo de desenvolvimento que pode impor importações

Por O Dia

São Paulo - O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, demonstrou ceticismo em relação aos ganhos da indústria de bens de capital brasileira a partir dos investimentos anunciados pela China no Brasil, na semana passada, e também em relação ao acordo comercial que vem sendo negociado pelo governo Dilma com o México e que deve ser divulgado em julho.

Segundo Pastoriza, a China vem mudando seu modelo de indução ao desenvolvimento, estimulando mais o consumo interno, em detrimento ao modelo anterior, baseado nos investimentos na infraestrutura do país, e deve exigir a contrapartida da importação de máquinas e equipamentos chineses para realizar os investimentos prometidos no Brasil.

“O interesse dos chineses é dar trabalho para as indústrias locais que atualmente estão batendo lata. Agora que eles estão estimulando o consumo, é natural que queiram amarrar a compra de produtos chineses para garantir o emprego nas indústrias de lá”, afirmou.

O presidente da Abimaq ressaltou que sua análise não é baseada na xenofobia. Ele considera que a economia brasileira atravessa uma fase difícil, na qual os investimentos são bem-vindos, mas defende que precisa haver critérios por parte do governo brasileiro.

“Estamos aliando a fome com a vontade de comer, mas qualquer país minimamente equilibrado se preserva de certas contrapartidas, garantindo o conteúdo local em alguns acordos”, disse, mencionando que a Abimaq vai dialogar muito com as autoridades brasileiras ao longo do processo para garantir que os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos também participem dos ganhos dos investimentos previstos.

Já em relação ao acordo comercial com o México, na opinião de José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, a parceira tende a ser desfavorável para o Brasil porque o país ainda não fez “sua lição de casa”.

“O custo-Brasil ainda é o maior inimigo da competitividade nacional. O país vai continuar exportando produtos de baixo valor agregado, que geram poucos empregos, importando bens de maior valor agregado, dando emprego para o exterior. Em todo e qualquer acordo tem de existir um equilíbrio de agregação de valor. Não podemos olhar a balança só em valores, temos de ver o quanto estamos importando e exportando de empregos”, disse, argumentando que a parceria entre Brasil e México pode favorecer a instalação de empresas brasileiras em solo mexicano, visando ganhar outros mercados como os Estados Unidos e a América Central, mas que a estratégia não pode ser adotada como política de crescimento industrial para o país.

Os representantes da Abimaq divulgaram os resultados do setor de bens de capitais no primeiro quadrimestre do ano, informando que o impacto da desvalorização do real frente ao dólar na receita das exportações contribuiu para manter a estabilidade do faturamento. Houve um crescimento de 4,5% nos primeiros quatro meses do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, apesar do resultado positivo, a entidade ainda prevê uma queda de faturamento para 2015.

“O câmbio, mesmo depreciado, não está ajudando nossas exportações”, afirma Mario Bernardini, diretor de competitividade da Abimaq. Segundo ele, a volatilidade do câmbio, com variações de 10% em prazos da ordem de 30 dias, atuou como um fator recessivo, aumentando os riscos de descasamento entre custos e preços de venda.

O economista explicou que a volatilidade cambial inibiu as exportações e os esforços para ampliar a participação no mercado brasileiro. Segundo a Abimaq, os ganhos de competitividade conferidos pela desvalorização do real se limitou aos ganhos com o dólar, já que os resultados em relação ao Euro foram insuficientes. Os principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos são a América Latina, com 42% de participação no total, os Estados Unidos, com 20,6% e a Europa, com 19,4%.

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