Carros seminovos ganham mercado no país e crescem 33%

Diante da crise econômica, consumidor deixa de lado o sonho do carro zero e opta pelo menor preço na hora da compra

Por O Dia

Rio - Na contramão da crise econômica que abala fortemente a indústria automobilística, o mercado de carros seminovos rouba a cena e registra crescimento de 33,1% no acumulado de janeiro a maio, frente ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a expansão é mais forte do que na comparação janeiro-maio de 2014 frente a janeiro-maio de 2013, quando o segmento de veículos com tempo de uso de zero a três anos crescera 14,3%.

O preço atrelado à redução do poder de compra das famílias está por trás do resultado surpreendente do setor. Em média, os carros seminovos custam 25% menos dos que os zero-quilômetro. Economista do Bradesco, Regina Helena Couto Silva ressalta que o fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para veículos novos, além da inclusão obrigatória de itens de segurança dos carros que saem de fábrica, como freio ABS e airbag, encareceram os modelos zero.

“Nos últimos três anos, a frota de carros novos cresceu bastante. Além disso, as locadoras, que também dominaram o mercado, costumam renovar suas frotas a cada seis meses. Por isso, há um volume grande de carros usados no mercado, o que deixa a compra vantajosa. Soma-se a isso o fato de muitas marcas contarem com garantias de fábrica de três a cinco anos”, afirma Regina.

No acumulado de janeiro a maio deste ano, foram vendidos 5,277 milhões de carros usados no país. Em igual período de 2014, haviam sido comercializados 5,160 milhões — um crescimento de 2,3%. Entre os seminovos — com expansão de 33,1% — as vendas alcançaram a marca de 1,492 milhão de veículos. Em igual período do ano passado, as vendas somaram 1,120 milhão.

Em contraposição, o mercado de veículos novos segue em retração. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no acumulado de janeiro a maio deste ano frente a igual período do ano passado, as vendas de veículos dos segmentos autos e comerciais leves caíram 19,37%. Enquanto que em 2014 haviam sido comercializados 1,331 milhão de carros desta categoria, este ano as vendas somaram 1,065 milhão.

“ O comprador de carro zero está migrando para um seminovo, por causa do orçamento mais apertado e das condições de pagamento. O momento da economia e todas as incertezas fazem com que o consumidor seja mais cauteloso”, avalia o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos. 

Segundo o executivo, até 2008, 70% dos carros usados vendidos eram por meio de financiamento. Hoje, o percentual gira de 25% a 30%. “Não que não haja crédito disponível. Mas ele está mais responsável e seguro. A maioria dos compradores prefere dar o carro de entrada e pagar o restante à vista, sem falar nos consorciados”, acrescenta Idílio.

Na ponta do lápis, a compra de um carro usado a crédito costuma ser bem mais cara do que um zero. Coordenador de estudos econômicos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira ressalta que, desde 2013, o Banco Central vem elevando a Selic — hoje a 13,75% ao ano — , mas, com o aumento do risco de inadimplência, os juros nos bancos têm subido acima da taxa básica de juros da economia.

“Os bancos estão mais seletivos na concessão de crédito. Logo, quem busca comprar um automóvel, encontra uma condição bem pior”, afirma. Segundo o economista, a taxa média de juros para o financiamento de carro zero está em 2% ao mês. Já para o financiamento de usado, os juros médios giram em 2,5% a 3,5% ao mês e, dependendo do cliente, pode chegar a 7% ao mês.

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