Setor de calçados acumula no ano queda de 13,9% nas exportações

Segundo a Abicalçados, retração se deve à mudança na alíquota do Reintegra e ao ajuste fiscal do governo. Nos primeiros quatro meses do ano, indústria calçadista demitiu 24 mil trabalhadores e vendas internas recuaram 3%

Por O Dia

As exportações brasileiras de calçados registraram queda de receita de 13,9% no acumulado de janeiro a abril deste ano, no comparativo com o mesmo período de 2014, e um recuo de 15,4% no volume de produtos embarcados. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos primeiros quatro meses do ano os fabricantes nacionais de sapatos comercializaram 39,2 milhões de pares, registrando uma receita de US$ 310,1 milhões, contra um volume de 46,3 milhões de pares e faturamento de US$ 359,9 milhões no primeiro quadrimestre de 2014. Nos nos primeiros três meses de 2015, a indústria calçadista reduziu 24 mil postos de trabalho sobre o mesmo período em 2014.

De acordo com Heitor Klein, presidente-executivo da Abicalçados, os resultados negativos das exportações do setor refletem a perda de competitividade da indústria num período em que o dólar mais valorizado poderia dar fôlego maior às exportações. “A menor alíquota de restituição do Reintegra e os ajustes fiscais tiveram impacto negativo no setor industrial, como mostram os primeiros resultados até abril”, afirma, argumentando que as previsões otimistas para as exportações deste ano estão ameaçadas por causa das medidas econômicas do governo. “Já temos um dos maiores custos produtivos do mundo e, agora, em meio à recessão, é proposto um ajuste que, ao invés de desonerar a indústria, a onera para que pague a conta de desmandos com o dinheiro público”, protesta.

As vendas de calçados, roupas e tecidos recuaram 3% no período de janeiro a março deste ano, segundo dados do IBGE. O recuo é de 1,7% no acumulado dos últimos 12 meses até março. A importação de sapatos também caiu no primeiro quadrimestre, 7,7%. No acumulado até abril deste ano, o mercado brasileiro absorveu 14,27 milhões de pares por US$ 194,4 milhões. De acordo com a Abicalçados, os principais exportadores para o Brasil são, pela ordem, Vietnã, Indonésia,China e Camboja.

Apesar da queda nas exportações, em abril a indústria nacional retomou as vendas para o mercado americano, embarcando produtos de maior valor agregado. “Os EUA, principal comprador do calçado brasileiro, importaram 586,2 mil pares por US$ 14,37 milhões, aumento de 3,2% sobre abril de 2014. O preço médio do produto vendido cresceu quase 80%, passando de US$ 13,63 para US$ 24,51 por par”celebra Klein. Nos quatro primeiros meses, os americanos compraram 3,75 milhões, gerando uma receita de US$ 55,9 milhões, 3,3% menos do que no mesmo período de 2014.

Até abril, os outros dois maiores importadores de sapatos brasileiros, França e Argentina,registraram queda de faturamento de 13,7% e 15,3%, respectivamente . Já a Bolívia, quarto maior mercado, registrou alta de 10,5%. “Mesmo com uma breve recuperação no mês de março, provocada especialmente pela resolução da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que a Argentina retirasse as barreiras ilegais às importações, o país vizinho deixou claro que está com os pés cravados na recessão interna”, avalia Klein.

Buscando ampliar o leque de mercado, a Rússia vem se tornando a grande aposta das fábricas brasileiras. O mercado russo consome cerca de 228 milhões de pares por ano, dos quais 187 milhões são de origem estrangeira — 90% importados da China e apenas 0,9% do Brasil. “Estamos realizando missões comerciais na Rússia desde 2013, ano que registramos bom volume de negócios. Mas, no ano passado, sofremos um revés por causa da tensão política e econômica estabelecida pelo conflito com a Croácia. O mercado se retraiu diante das incertezas”, afirma Cristian Schindwein, coordenador da Unidade de Desenvolvimento da Abicalçados.

Segundo Schindwein, o mercado russo é atrativo porque o valor médio dos pares exportados gira em torno dos U$ 24,60, enquanto a média geral nacional é de U$ 8 por par. “O Brasil ainda é muito focado nas coleções de primavera-verão, mas muitos fabricantes estão dispostos a se adaptar para avançar na Rússia, onde o inverno é rigoroso”, diz.

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