Por monica.lima

São Paulo - A indústria paulista deve bater recorde de demissões este ano, desempregando 150 mil trabalhadores, de acordo com estimativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo a entidade, somente no mês de maio, cerca de 17 mil postos de trabalho foram cortados, somando 35 mil demissões no acumulado do ano. “O resultado do emprego em maio surpreendeu negativamente, registrando um número de desligamentos acima do esperado”, afirma Guilherme Moreira, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

Ele lembra que é típico da indústria realizar contratações no período entre janeiro e outubro, demitindo nos meses de novembro e dezembro, para operar com certa gordura ao longo do ano. “Em 2015, o comportamento do mercado de trabalho industrial está fora do padrão e o nível do desemprego do setor promete superar o patamar de 2009, auge da crise financeira internacional”, diz Moreira. Segundo ele, porém, ao contrário do que ocorreu em 2010, quando a indústria retomou seu processo de contratações, não há nenhum fato econômico que aponte para recuperação no ano que vem, considerando a política de juros altos de aumento da carga tributária da atividade industrial.

De acordo com o levantamento da Fiesp, dos 22 segmentos industriais do estado, apenas dois registraram saldo positivo de emprego em maio, contratando mais do que demitindo: o segmento fabricante de produtos alimentícios, com geração de 2,2 mil vagas, e o de biocombustíveis e produtos derivados de petróleo, com 259 vagas. Encabeçando o ranking de demissões está a indústria automotiva, com corte de 4,3 mil vagas, seguida pelo segmento formado pelos fabricantes de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com 3,2 mil demissões. A seguir, vêm as indústrias de máquinas e equipamentos e calçadista, com 1,7 mil demissões cada.

“Mesmo o segmento alimentício, que tem saldo positivo, está contratando menos do que habitualmente contrata nesta época do ano. As usinas produtoras de açúcar, que fazem parte deste segmento e influenciam no resultado das contratações, enfrentam uma crise e passam por um processo de mecanização, o que diminui o nível de empregos gerados observados na série histórica”, analisa Moreira.

Nos primeiros cinco meses do ano, quem lidera em demissões é o setor fabricante de máquinas e equipamentos, que registra um contingente de mão de obra 5,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, seguido pelo segmento de movelaria e automotivo, ambos com redução de 5,2% e o de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com queda de 4,2%.

Já no acumulado dos últimos 12 meses até maio, todos os segmentos industriais registram índice negativo de emprego, somando 181 mil demissões. De maio de 2014 a maio de 2015, os maiores cortes são do segmento de máquinas e equipamentos, que reduziu em 12,2% seu número de empregados, seguido pela indústria calçadista, com 11,6%, o segmento de produtos de informática, eletrônicos e ópticos e a indústria automotiva, com recuo de 10,4%.

Considerando o comportamento do emprego industrial pelo aspecto regional, segundo a Fiesp, o pior desempenho em maio foi registrado no município de Osasco, que registrou queda de 2%, pressionado pelos setores de veículos automotores e autopeças (-10,87%) e de produtos alimentícios (-4,45%). Bauru também registrou perdas significativas, de 1,93% em maio, abatido por comportamentos de baixa na indústria de confecção de artigos de vestuário e acessórios (-11,05%) e no segmento de produtos de metal (-5,44%). Na contramão, a região de Santa Bárbara d'Oeste se registrou alta de 2,65%, assim como Matão, com de 1,35%, e Sertãozinho, com 1,33%. Nos três municípios houve contribuição da indústria alimentícia.

“Mas a queda no emprego é generalizada tanto por segmento quanto pelas regiões do estado. Mas a região mais impactada pela desemprego ao longo dos últimos 12 meses é a do ABC paulista, onde está concentrada a indústria automotiva e sua cadeia produtiva, que é bem extensa, englobando setores como metalmecânica, autopeças e etc. Nos municípios da região o desemprego é crescente e um dos casos mais dramáticos é o do município de Diadema”, analisa Guilherme Moreira.

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