Indústria de bens de capital brasileira encolhe 4,9% no ano, até maio

Setor faturou R$ 36,5 bilhões e registrou receita de US$ 3,2 bilhões com as exportações em queda de 20,2%

Por O Dia

São Paulo - O faturamento da indústria brasileira de bens de capital mecânicos caiu 4,9% nos primeiros cinco meses do ano em relação ao mesmo período de 2014. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), até maio o setor faturou R$ 36,5 bilhões, registrando uma receita de US$ 3,2 bilhões com as exportações que apresentaram queda de 20,2% no ano. O consumo aparente recuou 3,4% no período entre janeiro e maio, atingindo um montante de R$ 56,4 bilhões e as importações também caíram 18% no período, registrando receita de US$ 8,7 bilhões.

“A situação da indústria de bens de capital e da indústria da transformação como um todo vem se deteriorando rapidamente. Isso, considerando que os números que apresentamos hoje já estão defasados, refletindo uma realidade de há quase dois meses. Com certeza o desempenho será pior em junho e julho e já estimamos queda de faturamento de dois dígitos no ano”, afirmou Mário Bernardini, gerente de competitividade da Abimaq.

De acordo com ele, com o viés recessivo do ajuste fiscal do governo — que prevê cortes nos investimentos públicos, juros altos e aumento de impostos para o setor produtivo, é difícil se reverter a tendência de queda das receitas do setor este ano que caminha para registrar o terceiro ano consecutivo de perdas. “Mesmo o programa de concessões do governo federal ainda não passa de uma promessa. Houve o lançamento do projeto, mas até agora não foi estabelecida uma data dos leilões de licitação. Na melhor das hipóteses, o programa só vai gerar algum impacto na economia a partir do ano que vem”, diz.

Para Bernardini, no curto e médio prazo, a única variável capaz de dar fôlego à indústria nacional este ano seria o câmbio com depreciação de 20% do real frente ao dólar. “Se não fossem as intervenções do Banco Central, o real estaria naturalmente cotado a R$ 3,40 e R$ 3,60. É irresponsável, em um ambiente recessivo, manter a rolagem de contratos de swap cambial como tem ocorrido”, disse, mencionando que apesar da valorização do dólar, a volatilidade cambial inibe na prática qualquer esforço das exportações do setor.

Na opinião do executivo, há outro revés previsto para o setor nos próximos dias. Em breve a Petrobras deve anunciar seu novo plano de investimentos para o período entre 2015 e 2019, com corte estimado em 40% no período a ser anunciado nos próximos dias. Segundo Bernardini, a Petrobras é responsável por 30% dos investimentos industriais do país e a diminuição dos investimentos deve provocar uma queda de cerca de 15% na demanda da indústria de transformação do país, e um recuo de dois pontos percentuais no resultado do PIB brasileiro nos próximos quatro anos.

“Se a Petrobras cortar 40% de seus investimentos, sua participação na Formação Bruta de Capital Fixo — que representa 20% do PIB — cairá para 6%”, argumenta, afirmando que estima um corte de 50% no volume de investimentos da companhia petrolífera, reduzindo o volume de recursos antes previsto em US$ 400 bilhões para cerca de R$ 220 bilhões, que é, segundo Bernardini, um patamar realista com a capacidade financeira da empresa.

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