Conta mais cara faz consumidor cortar gasto com energia

Segundo a EPE, consumo residencial de eletricidade caiu 2,5% em maio, refletindo aumento médio de 40% nas tarifas das regiões Sul e Sudeste e queda do poder aquisitivo. Consumo industrial apresenta queda de 4,2%

Por O Dia

Rio - O consumo residencial de energia no país apresentou queda de 2,5% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, indicando que o brasileiro começa a economizar no gasto de eletricidade. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foi a primeira queda no ano, puxada pelo desempenho das regiões Sul e Sudeste, onde o reajuste médio das tarifas chega a 40%.

Em geral, o consumo de energia no país caiu 2,2% em maio, mês em que o único segmento que apresentou alta foi o comercial — ainda assim, em ritmo bem inferior a meses anteriores.

“Uma parcela dos consumidores já teve a tarifa reajustada duas vezes neste ano: o reajuste extraordinário de março e o reajuste anual ordinário. O conjunto desses consumidores equivale a quase 40% do consumo na baixa tensão e agrega distribuidoras do Sul e do Sudeste em sua maior parte. Para esse grupo, a tarifa foi reajustada, em média, em cerca de 40%”, analisam os técnicos da EPE, na Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, divulgado ontem. No Nordeste, onde o reajuste médio é de 7%, o consumo residencial cresceu 2,5% em maio.

A EPE ressalta que o consumo de eletricidade pelas residências vinha apresentando taxas menores de crescimento nos últimos meses, mas a estatística está contaminada pelos grandes volumes registrados no verão de 2014, quando as altas temperaturas provocaram uma sucessão de recordes de demanda no país. “Já o resultado de maio, livre dessas influências, parece refletir os efeitos combinados da queda do poder aquisitivo das famílias com o aumento das tarifas de eletricidade, aplicado em todas as distribuidoras”, conclui o documento.

O expressivo aumento das tarifas de energia reflete a política de “realismo tarifário” implementada no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, que repassou aos consumidores custos que vinham sendo represados nos últimos anos. Além disso, criou o mecanismo de bandeiras tarifárias, segundo o qual os gatos com energia gerada por térmicas são rateados na conta mensal de luz — antes, o repasse era feito apenas uma vez por ano, no reajuste anual das distribuidoras.

Na Região Sudeste, o consumo industrial também tem sentido os impactos da retração econômica e dos aumentos da conta de luz. Em maio, a demanda total da região caiu 3,9%, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. As indústrias do Sudeste utilizaram um volume de energia 4,5% inferior, puxadas pelo desempenho de São Paulo, com queda de 7,4%. Neste segmento, Minas Gerais e Espírito Santo destoam, com crescimento na demanda provocado pelos setores de papel e celulose e extração de minerais metálicos.

O consumo residencial no Sudeste caiu 4,2% e o comercial, 1,5%. “Além do desaquecimento da atividade econômica, o consumo na região já reflete os reajustes tarifários e, no caso de São Paulo em particular, efeitos da severa crise hídrica, conforme reportado pelas distribuidoras que atuam no estado”, comentaram os técnicos da EPE. A redução no consumo de energia é citada por especialistas no setor como um dos fatores determinantes para que os reservatórios das hidrelétricas cheguem ao final do período seco ainda em condições de abastecer o mercado.

Depois de prever uma queda de 0,5% no consumo em julho, o Operado Nacional do Sistema Elétrico (ONS) — que ainda não divulgou as estatísticas do mês passado — diz acreditar em estabilidade em julho, com relação ao mês anterior. Porém, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, onde há maiores restrições hídricas, a projeção é de queda de 2,3%. O Nordeste deve continuar apresentando crescimento, de 9,3% de acordo com projeções do operador.

Mesmo com a redução na demanda, no entanto, o ONS prevê queda no nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste este mês. De acordo com as projeções divulgadas anteontem, as hidrelétricas do subsistema chegarão ao fim do mês com 34,7% de sua capacidade de armazenamento de energia.

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