Por diana.dantas

No mar de resultados adversos na economia que vieram à tona antes, durante e depois das eleições, o emprego é exceção. Sendo consideradas as grandes regiões metropolitanas do país, os últimos dados da pesquisa de emprego referentes ao mês de outubro mostram melhoras surpreendentes. Por outro lado, dão sinalizações negativas para o que pode estar sendo delineado para o emprego proximamente. A surpresa positiva não vem tanto do resultado de queda da taxa de desocupação, já que há algum tempo a trajetória cadente tem sido a tônica nesse caso.

A taxa de desocupação atingiu 4,7% da força de trabalho no mês passado, significativamente menor na comparação com o mesmo mês de 2013 (5,2%). Na região metropolitana de Porto Alegre, localidade em que no ano passado foi apurado um índice particularmente baixo, 3,0%, houve aumento para 4,6%, mas em todas as demais regiões, com a exceção de Recife, a redução teve continuidade. No Rio e em Belo Horizonte a desocupação alcança no presente níveis muito baixos (respectivamente, 3,8% e 3,5% da força de trabalho) e em São Paulo corresponde a 4,4%. Salvador também apurou menor desemprego, embora ainda alto: 8,5%.

O mesmo fator explicativo que vem prevalecendo nos dois últimos anos foi também determinante para a queda da taxa de desemprego no mês passado: a população economicamente ativa, ou a força de trabalho, continuou em queda, 0,5% com relação a outubro do ano anterior. Esta é uma decorrência da melhora de renda da população, que, ao conferir maiores raios de manobra às famílias para planejarem a entrada no mercado de trabalho de seus membros mais jovens, permite que estes tirem proveito de programas oficiais como o Prouni, o Fies e o Pronatec e completem o ciclo educacional médio e superior ou a formação técnica.

No contexto do corrente ano pode ser considerado novo o fato de que o número de pessoas ocupadas, que vinha declinando seguidamente mês após mês (-0,7% em julho, -0,4% em agosto, -0,4% em setembro), parou de cair. A variação foi zero em outubro, sempre na comparação do mês em questão com relação ao mesmo mês do ano anterior. Não ocorreram mudanças na economia que autorizem o diagnóstico de que o emprego vá melhorar a partir de agora, de forma que o quadro “menos ruim” para outubro deve ser acompanhado para se ter certeza de seu significado.

Outro fato novo foi o retorno do alto crescimento real do rendimento médio das pessoas ocupadas. Após os três meses anteriores apontarem uma franca perda de ritmo (2,6%, 2,5% e 1,5%, respectivamente em julho, agosto e setembro), em outubro o aumento chegou a 4% relativamente ao mesmo mês do ano passado. O resultado eleva custos na economia, mas, de outra parte, reforça a massa de rendimentos da população. Como esta é a base do poder de consumo das famílias, é possível nutrir a expectativa de que o varejo tenha algum fôlego a mais para crescer neste fim de ano. Como se sabe, as vendas varejistas vêm preservando taxas de evolução real positivas, embora modestas.

As indicações adversas da mais recente pesquisa de emprego vêm dos segmentos responsáveis pela relativa melhora no emprego e no rendimento. A categoria líder do avanço do rendimento médio real em outubro foi a de trabalhadores por conta própria (6%), a que desfruta de mais restritas garantias e proteções na ocupação. Empregados com carteira e empregados sem carteira tiveram aumentos bem menores, 0,2% neste último caso e 1,8%, no primeiro.

Na ocupação, o mapa de criação/destruição de postos de trabalho dá ideia das forças em jogo na atualidade. A ocupação caiu muito na indústria (menos 123 mil postos) e no comércio (-174 mil postos), um total de 297 mil. A ocupação aumentou principalmente em “outros serviços” (mais 259 mil postos de trabalho). Neste segmento, preponderam os serviços pessoais nos quais são típicos o emprego parcial e temporário. Estamos trocando o emprego em setores mais dinâmicos, formais e possivelmente de maior produtividade, por ocupações em segmentos de menor dinamismo, maior informalidade e mais baixa produtividade?

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