Para disputar o Senado, Kassab esperou Serra confirmar candidatura à Câmara

Apesar de apoiar a reeleição de Dilma Rousseff (PT), o ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD preferia não enfrentar o tucano, de quem se tornou aliado nos últimos anos

Por O Dia

Cotado para estar na coligação de Alckmin, no entanto, Kassab acabou fazendo o acordo com Paulo SkafMurillo Constantino

Antes de anunciar sua candidatura ao Senado na chapa do candidato a governador Paulo Skaf (PMDB), o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) garante ter consultado o ex-governador José Serra (PSDB). O presidente do PSD tem uma gratidão em relação ao tucano por ter assumido a Prefeitura de São Paulo depois de ter sido seu vice. Depois, os serristas enfrentaram o atual governador e agora candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, para apoiar a renovação do mandato de Kassab como prefeito. Com Serra candidato a deputado federal, o pessedista se sentiu à vontade para entrar na disputa. Cotado para estar na coligação de Alckmin, no entanto, ele acabou fazendo o acordo com Skaf. Depois de tanta deferência, resta saber qual será a retribuição dos serristas.

Apesar de aparecer como líder nas últimas pesquisas de intenções de voto, a situação do ex-governador não era confortável. Ele vem de duas derrotas seguidas, na eleição presidencial de 2010, para Dilma Rousseff (PT), e, em 2012, quando perdeu a disputa pela Prefeitura de São Paulo para Fernando Haddad (PT). Para aliados, Serra não deveria se expor ao risco de não se eleger agora. A possibilidade de não superar o senador Eduardo Suplicy (PT), candidato à reeleição, seria menos traumática para Kassab. Os nove pontos percentuais de vantagem de Serra em relação a Suplicy na última pesquisa divulgada pelo Datafolha indicaram um baixo recall do tucano. Em 2006, quando Suplicy se reelegeu, Serra foi eleito governador de São Paulo. De lá pra cá, disputou mais duas eleições e o petista, nenhuma. Em ambas, Serra sofreu com a alta rejeição.

Mais um para chegar atrasado

Enquanto esperava para dar entrevista ao lado do candidato ao Palácio dos Bandeirantes Paulo Skaf (PMDB), o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que disputará uma vaga no Senado, reagiu com bom-humor ao atraso do colega de coligação. O presidente nacional do PSD lembrou da falta de pontualidade com a qual tinha de conviver quando foi vice do tucano José Serra, na Prefeitura de São Paulo. “Já tinha um Serra na minha vida para atrasar, será que agora apareceu outro? Dois, eu não aguento”, afirmou. Skaf, que chegou logo em seguida, entrou no clima da brincadeira: “O bom é que então você já está acostumado”, respondeu.

Realidade reversa

Com PR e PCdoB, a coligação que apoia Alexandre Padilha pode se tornar a menor do PT-SP em número de partidos desde 1986, quando Eduardo Suplicy disputou em chapa pura. Antes da deserção do PP, consumada ontem, Padilha falava em formar a maior aliança da história do partido no Estado.

Rio evitou surpresas de última hora

São Paulo registrou surpresas de última hora no encerramento do prazo para convenções e formalização de candidaturas, como a adesão de Kassab à chapa de Skaf e o recuo do PP no apoio a Padilha. No Rio, isso não aconteceu, apesar de o PDT ter recebido convite para deixar a chapa de Pezão (PMDB) ao governo e se unir a Marcelo Crivella (PRB). O pedetista Carlos Lupi, que não queria conviver com Cesar Maia (DEM) na mesma aliança, decidiu ser candidato independente ao Senado.

Condenação gera dúvidas sobre reeleição de Maluf

O deputado Paulo Maluf (PP-SP) ainda não definiu se concorrerá à reeleição, em razão de condenação pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por improbidade administrativa em processo que apontou superfaturamento na construção de um túnel, quando foi prefeito de São Paulo. Especialistas divergem sobre a possibilidade dele ser candidato.

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Com Leonardo Fuhrmann

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