Com Haddad em inauguração, Lula não discursa, mas dá palpites

Ex-presidente esteve em inauguração de centro de triagem de material reciclável na capital paulista, onde conversou com catadores e deu sugestões ao prefeito, que foi ministro de seu governo

Por O Dia

* Por Leonardo Fuhrmann, interino

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), deve ter matado saudades ontem da época em que era ministro da Educação do governo do ex-presidente Lula. Presente na inauguração de uma central de triagem de material reciclável, o líder petista deu sugestões, apontou falhas a serem corrigidas e quis entender como funcionava cada um dos equipamentos que o prefeito mostrava para ele. Afiado, Haddad não precisou de ajuda de assessores para esclarecer as dúvidas de Lula. Para o ex-presidente, os caminhões deveriam ter mensagens de incentivo à reciclagem e o barulho em uma parte do prédio era incômodo. Ele também conversou com catadores para saber das condições de trabalho deles e se houve alguma melhora com os programas desenvolvidos pela prefeitura.

Segundo aliados%2C o objetivo de Lula foi manter o protagonismo de Haddad na inauguraçãoRicardo Stuckert/Instituto Lula


Lula não discursou e deu apenas respostas rápidas aos jornalistas. Segundo aliados, seu objetivo foi manter o protagonismo do prefeito na inauguração. Oficialmente, ele foi convidado por conta de sua relação próxima com os recicladores. Desde quando era presidente, Lula participa anualmente de um café no Natal com catadores e pessoas em situação de rua. Criticado publicamente pelo ex-presidente no mês passado por não divulgar as iniciativas de sua gestão, Haddad aproveitou a presença do antigo chefe para falar das ações da prefeitura na área socioambiental. Elogiou a aprovação do plano diretor e relacionou os investimentos em ciclovias, transporte público, reciclagem e iluminação com a melhoria na qualidade de vida. “Não estamos pensando na cidade que vamos entregar em 2016, mas na que queremos para 2040”.

Escolha pessoal

A central de triagem recebeu o nome da escritora Carolina Maria de Jesus, de Quarto de Despejo. O próprio Haddad escolheu o nome. A autora foi catadora e morava na Favela do Canindé, onde foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas. Neste ano, é comemorado o centenário de nascimento dela.

Primeiro teste

A Prefeitura de São Paulo não desmobilizou ainda o comitê local da Copa. A ideia é fazer uma transição da estrutura utilizada no evento para a situação normal da cidade. Um dos testes será hoje, quando o Corinthians enfrenta o Internacional no Itaquerão. O jogo será às 19h30, no pico do trânsito.

Prêmio a garis

Mil garis que trabalharam nos horários de jogos da Copa vão assistir ao jogo hoje no Itaquerão. Outros dois mil devem ser convidados para as duas próximas partidas do Corinthians no estádio, inclusive o clássico contra o Palmeiras. O prêmio é da Prefeitura com o clube, empresas e sindicato.

Prazos correm em ‘recesso branco’

Os deputados Marcos Rogério (PDT-RO) e Júlio Delgado (PSB-MG) terão bastante trabalho em Brasília nas próximas semanas, apesar do chamado “recesso branco”. Como, apesar de não haver votações, o Congresso Nacional funciona normalmente, os prazos para entrega dos relatórios na Comissão de Ética vão continuar correndo. Delgado analisa a situação de André Vargas (PT-PR) e o pedetista de Luiz Argôlo (SDD-BA), ambos acusados de ligação com o doleiro Alberto Youssef.

CPIs em curso podem ser prorrogadas

No recesso branco, não há votações, exceto em esforços concentrados acordados. Por isso, a presença não é medida. O prazo de funcionamento das comissões parlamentares de inquérito também vai continuar correndo. Inclusive das CPIs mista e do Senado que apuram irregularidades na gestão da Petrobras, centros de disputa entre governistas e oposição.

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