Dificuldades de Marina

Decisão sobre o nome de Marina para substituir Campos não será tão fácil no PSB, por causa de divisões internas. Marina entrou em conflito com lideranças do partido em São Paulo e Minas Gerais por causa de alianças com tucanos

Por monica.lima

Há o risco de o PSB não permanecer unido em torno do nome de Marina SilvaDivulgação

A vice na chapa do PSB à presidência, Marina Silva, nem vai querer tocar no assunto nos próximos dias em respeito ao luto da família de Eduardo Campos, morto ontem em acidente de avião em Santos (SP). Mas é a opção natural para substituí-lo. Essa decisão, no entanto, não será adotada tão facilmente no partido. Políticos e analistas ouvidos citam a divisão interna no PSB, manifestada após a aliança com Marina. Houve reações duras da Rede diante de alianças em Estados como Minas Gerais e São Paulo. Campos era o polo aglutinador, o líder que unificava o partido. A líder da Rede pode vir a ser confirmada como candidata - o partido tem dez dias de prazo para substituir Campos, de acordo com a legislação eleitoral. -, mas há o risco de o PSB não permanecer unido em torno de seu nome.

Posições de Marina e da Rede contra alianças geraram sérios atritos com lideranças do PSB como Márcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, e Márcio França, presidente do partido em São Paulo, indicado como vice na chapa do governador tucano Geraldo Alckmin. Em razão dos conflitos internos, o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas, acredita até na possibilidade de o PSB optar por não ter candidato à presidência - liberando seus diretórios em cada Estado - ou apoiar uma candidatura já existente. Essa terceira opção é muito mais remota, mas também possível. No caso dessa alternativa, é bom lembrar que líderes do PSB no Nordeste não nutrem simpatia pelo tucano Aécio Neves. Na região, o partido era mais próximo de Lula e Dilma Rousseff. No Sul do País, a identificação é muito maior com o PSDB.

PT espera a vice

Governistas avaliam que o PSB lançará Marina como candidata. Reservadamente, parlamentares diziam ser essa a melhor proposta para a oposição a fim de garantir o segundo turno. Também não acreditam que um clima de comoção dificulte a disputa para a presidente Dilma.

Avião ficou parado

Na 11ª. edição da Labace, a segunda maior feira da aviação do mundo, ontem em São Paulo, circulavam informações de que o avião Cessna em que viajou Eduardo Campos teria ficado um tempo parado no aeroporto de Jundiaí (SP) e retirado de lá depois por supostas irregularidades.

Renata queria ir

A mulher de Campos, Renata, manifestou o desejo de viajar para Santos a fim de acompanhar o resgate do corpo do marido. Foi desencorajada por outros integrantes do partido. Mauricio Rands, um dos coordenadores do programa de governo e parente de Campos, seguiu para a cidade.

Temer e Mercadante foram a Santos

Nascido em Santos, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, acompanhou ontem o vice-presidente, Michel Temer, na ida a Santos. Ele lembrou que conheceu o presidenciavel do PSB em 1989, na primeira campanha presidencial de Lula. O petista recebeu o apoio de Miguel Arraes, avô de Campos. Mercadante e Campos eram dois jovens assessores. Depois conviveram juntos na Câmara dos Deputados e no Ministério do presidente Lula.

Coordenador diz que “não vai desistir do Brasil”

Coordenador-geral da campanha de Eduardo Campos, Carlos Siqueira, usou uma frase dita pelo presidenciável no dia anterior ao acidente para iniciar seu pronunciamento: “Nao vamos desistir do Brasil”. Ao seu lado, visivelmente abalada, a vice Marina Silva pediu que Deus sustentasse Renata e os filhos do casal. Citou também familiares das outras vítimas.

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