Para assessor de Dilma, pesquisa mostra quadro “impressionista”

Marco Aurélio Garcia diz que ex-ministra Marina Silva (PSB) subiu nas intenções de voto da disputa presidencial sem apresentar como pretende governar o País. Por isso, acredita que ainda não é possível fazer prognósticos. “Desenvolvimentista, ela não é”, afirma

Por O Dia

O assessor especial da Presidência da República%2C Marco Aurélio Garcia%2C lembra que já existem reações contrárias à presidenciável do PSBAgência Brasil

Figura importante nas áreas de planejamento e estratégia do PT, o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, acha que o momento não é propício para diagnósticos eleitorais. Mesmo com a pesquisa divulgada ontem pelo Ibope, na qual a presidente Dilma aparece com 34%, ante 29% de Marina e 19% de Aécio. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Num eventual segundo turno, Marina aparece com 45% e Dilma, 36%. Para Garcia, a mudança com a morte do presidenciável Eduardo Campos e sua substituição pela ex-ministra Marina Silva foi muito brusca. "Qualquer quadro que queira se pintar agora é muito impressionista", afirma. Ele calcula que os prognósticos serão possíveis daqui uma semana.

Na avaliação de Garcia, por enquanto, a presidente Dilma permanece estável enquanto Marina sobe nas pesquisas, o que significa que a candidata do PSB não tem tirado votos nem da petista nem do tucano Aécio Neves. Segundo ele, o maior avanço da ex-ministra se deu até agora entre indecisos e pessoas que votariam branco ou nulo. Garcia acredita que, daqui para frente, a situação dependerá do que Marina vai defender em seu plano de governo e da comparação de suas propostas com as dos demais candidatos. O assessor especial lembra que já existem reações contrárias à presidenciável do PSB, vindas inclusive de setores notadamente antipetistas. Para o assessor, ainda não estão claros quais os projetos da candidata adversária nem a maneira como ela pretende implementá-los. "Mas já é evidente que ela não é desenvolvimentista", diz.

Equipe de Marina festeja com cautela

O ex-deputado Walter Feldman, um dos coordenadores da campanha de Marina Silva, disse ontem que a orientação da ex-ministra e do PSB é para avaliar o resultado da pesquisa do Ibope com “muita humildade”. Segundo Feldman, é preciso esperar “o desenrolar do processo e não ver esse resultado como um fato único”. No entanto, considerou os números excelentes. “É importante, é auspicioso. Mas estamos ainda iniciando a campanha. É um elemento do processo e não pode levar a uma interpretação de resultado precoce”. Segundo ele, não houve surpresa para o PSB.

As vozes de junho

Militantes do PSDB ainda tinham dúvidas ontem se a ascensão de Marina Silva se deve ao clima de comoção com a morte de Eduardo Campos ou se ela conseguiu atrair os manifestantes de junho do ano passado. Ajudam o desgaste na imagem de PT e PSDB, em especial pelas denúncias de corrupção.

Nova política como antigamente

O vereador paulistano Laércio Benko, do nanico PHS, teve bom desempenho nos primeiros debates segundo as pesquisas internas dos candidatos. A estratégia dele foi colar sua imagem na da presidenciável Marina Silva (PSB), apoiada pelo seu partido. O PSB, no entanto, não o apoia. Mas os adversários lembram que, apesar do discurso em favor da “nova política” e contra os “conchavos políticos”, o PHS faz parte da base do prefeito de São Paulo e ocupa cargos na gestão.

Candidato do Psol mostra que não é o Plínio

A participação nos primeiros debates do professor universitário e cartunista Gilberto Maringoni, candidato do Psol a governador de São Paulo, não agradou líderes de seu partido no Estado. Sentiram falta da ironia e das tiradas do ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, morto neste ano, que fizeram sucesso nos debates presidenciais da eleição de 2010.

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Com Leonardo Fuhrmann

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