Por monica.lima
Tanto tucanos como petistas acreditam que Marina Silva não conseguirá sustentar até outubro os índices atuaisMiguel Schincariol/AFP

Tucanos e petistas desdenham publicamente da ascensão de Marina Silva na pesquisa do Ibope. Mas as direções de campanha do PSDB e PT exibem grande preocupação. O presidenciável tucano Aécio Neves enfrenta dificuldade maior por contar com três semanas a menos para tentar desconstruir a imagem da ex-ministra do Meio Ambiente e, assim, garantir a ida ao segundo turno. Dilma, na hipótese de enfrentar Marina na segunda fase da disputa, levaria vantagem com o rescaldo dos ataques vindos do PSDB em direção à candidata do PSB. No debate da Band, anteontem, tanto Dilma como Aécio tiveram dificuldades para se contrapor a Marina. Dilma questionou quais ministérios ela cortaria, ficou sem resposta. Aécio apontou supostas incoerências no discurso, mas foi rebatido.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirma que a campanha de Dilma não deve mudar e continuará a "mostrar o que ela fez no mandato". A própria candidata, no entanto, se apresentou mais confortável no debate quando os confrontos foram com o adversário tucano. Nesses momentos, explorava a comparação entre os doze anos de governo petista com a gestão tucana. Enquanto o ex-presidente Lula é um bom cabo eleitoral, FHC traz sua rejeição elevada ao candidato de seu partido. Apesar de não saberem bem como reagir, tanto tucanos como petistas acreditam que, em razão da debilidade e falta de estrutura do PSB e de incoerências na aliança política firmada por Marina, a candidata não conseguirá sustentar até outubro os índices atuais. A comoção pela morte de Eduardo Campos no acidente aéreo teria motivado o crescimento.

Neca ressalta experiência em educação

Ao rebater, durante debate da Band, comentário de Levy Fidelix (PRTB) de que seria a “banqueira” que apoia Marina, a socióloga Maria Alice Setúbal, da coordenação do programa de governo do PSB, recorreu ao repórter para comprovar seu trabalho na área de educação. “Você conhece meu trabalho”, disse Neca, como é conhecida. “Sou professora. Participo de conselhos de várias entidades. Integro uma família que faz parte de uma sociedade”, justificou a herdeira do Itaú. Autora de dez livros, Neca é presidente do Centro de Estudos em Pesquisas e Educação (Cenpec).

Petista critica veto

Ironia de um parlamentar petista sobre o veto da presidente Dilma Rousseff à lei para criação de novos municípios. “E dizem que ela está querendo ganhar as eleições. Desse jeito, entrega o cargo para a Marina no primeiro turno.” A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial da União.

Candidato não é o Ariano Suassuna

A participação do presidenciável Eduardo Jorge (PV) no debate da Band pode ter surpreendido quem não o conhece. Mas o espanto maior foi de quem conviveu com o ex-deputado, secretário na capital paulista nas gestões Erundina, Marta Suplicy, Serra e Kassab. E não só pelo estilo teatral apresentado. Baiano, ele morou na Paraíba antes de chegar a São Paulo, em 1974. Seu sotaque de sertanejo, ao estilo do dramaturgo Ariano Suassuna, não era tão carregado. É uma novidade de campanha.

Eduardo Jorge faz questão de citar Tolstói

Uma característica de Eduardo Jorge não mudou. Ele fez questão de citar no debate o escritor russo Liev Tolstói, de quem é fã. Em 2011, quando era secretário do Verde, o candidato teve seus bens bloqueados por decisão judicial. Na mesma semana, uma de suas poucas aparições públicas foi no lançamento de uma nova tradução de Guerra e Paz.

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Com Leonardo Fuhrmann
Colaborou Edla Lula

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