Por monica.lima
O apoio a Dilma vem depois deum momento de burocratização excessiva e desilusões com o partidoReprodução

A presidenta Dilma Rousseff (PT) tem contado com um reforço no segundo turno que surpreendeu até os mais saudosistas e otimistas dirigentes petistas: uma militância voluntária mobilizada para tentar garantir sua reeleição. O apoio vem depois de um momento de burocratização excessiva e desilusões com o partido. Alguns dos apoiadores de agora são os mesmos que se afastaram recentemente, frustrados com as denúncias de corrupção que tornaram, na visão deles, o PT parecido com os demais. Agora, no entanto, o discurso de apoiadores de esquerda é de evitar o que chamam de “retrocesso”, representado pela volta do PSDB ao poder, com uma eventual vitória de Aécio Neves. Jovens, artistas, universitários e professores estão entre os grupos que se reaproximaram dos petistas.

Muitos deles, inclusive intelectuais com um discurso de oposição aos governos petistas - como o sociólogo Francisco de Oliveira, um dos ícones do pensamento de esquerda - passaram a tratar o partido como uma opção “menos pior”. Além de destacar os “avanços sociais” dos últimos 12 anos, eles reforçam discursos como os direitos das minorias, notadamente feministas e LGBTs. No caso de São Paulo, a violência policial, em um Estado há 20 anos nas mãos do PSDB, e a crise hídrica favorecem uma frente antitucanos. Para petistas, os movimentos pró-Dilma, mesmo com restrições ao PT, se beneficiaram da radicalização da ideia de um país dividido entre dois projetos. Apoiadores de Aécio com um discurso de ódio contra pobres e nordestinos e pelo retorno da ditadura militar, por exemplo, acabaram indiretamente ajudando a campanha petista.

Aécio terá de mudar o disco

A expectativa dentro do PSDB é por um Aécio que insista, amanhã à noite, na TV Globo, em fazer um debate baseado em propostas, sem ironias nem ataques à adversária. Os dados do partido demonstram que há uma cobrança do eleitor por debates mais propositivos. Para piorar, apesar de o tucano acusar muitas vezes Dilma de “baixar o nível” da campanha, é ele quem ficou com fama de agressivo para um número maior de eleitores, segundo pesquisas. Por isso, o presidenciável tucano terá de controlar gestos e palavras e só partirá para o ataque quando achar inevitável. Ainda assim com termos muito bem medidos, para que não se voltem contra ele.

Riscos na imagem

Nas redes sociais, militantes do PT têm acusado Aécio de ser mais “contundente” nos embates contra mulheres. E destacam discussões acaloradas, além da própria Dilma, com Marina e Luciana Genro no primeiro turno. Citam ainda outras declarações para atribuir a ele um suposto machismo.

O golpe e a redemocratização em livro

Resultado de quatro anos de pesquisa e mais de 70 entrevistas com personalidades marcantes do período da redemocratização no Brasil, a obra “Brado Retumbante” — com os volumes, “Na lei ou na Marra - 1964-1968” e “Farol Alto sobre as Diretas — 1969-1984” (editados pela Benvirá) - do jornalista Paulo Markun, será lançado hoje, às 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis (São Paulo).

Pelas diretas e sem horta comunitária

Markun resgata episódios como um encontro do então governador Franco Montoro (morto em 1999) com intelectuais, no Rio, em 1983. Ele chegou atrasado e os convidados tomavam uísque havia horas. Começou a falar sobre horta comunitária e foi interrompido por Otto Lara Resende: “Governador, farol alto. Vamos falar de eleições”. Daí, Montoro voltou a SP e engajou seu governo na campanha pelas diretas.

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Com Leonardo Fuhrmann
Colaborou Eduardo Miranda

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