Por bruno.dutra

Secretário Nacional de Justiça no governo Lula, o ex-delegado Romeu Tuma Júnior mostrou empenho nos últimos dias antes da eleição na divulgação de comentários contra o PT e a reeleição da presidenta Dilma. Uma análise de especialistas sobre a divulgação de informações a respeito de um suposto assassinato por envenenamento do doleiro Alberto Yousseff, que está preso e fez delações relacionadas a um esquema de corrupção na Petrobras, aponta Tuma como um multiplicador importante de informações sobre o tema nas redes sociais.

Seu texto de mais sucesso era um que relacionava a internação de Yousseff ao assassinato de uma testemunha da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. No sábado, Tuma pediu proteção para o doleiro, inclusive com alimentação especial na cadeia.

Tuma só publicou depois das 16 horas de domingo, perto do fechamento das urnas, que Youssef estava vivo. Antes, ironizou a nota da PF que desmentia o boato. O ex-delegado já havia divulgado outra notícia falsa, segundo o site Brasil 247: de que o TSE havia determinado que apenas os eleitores de Aécio deveriam comparecer às urnas no domingo. Também publicou um vídeo em que o pastor Caio Fábio faz ataques ao governo petista, só que identificou o religioso como sendo o ex-ministro do STF Eros Grau, o que agravava as críticas.

Acusado de ligação com a máfia chinesa e tráfico de influência, Tuma foi demitido no governo Lula. Desde então, se tornou um crítico feroz dos petistas. O ápice da ofensiva é o livro, “Assassinato de reputações - um crime de Estado”, em que acusa o PT de criar uma rede de notícias falsas para atingir adversários.

Kassab espera

O ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) havia sido sondado para uma vaga no ministério de Dilma. Ele não aceitou porque desejava disputar as eleições. Concorreu ao Senado e foi derrotado. Agora, defende a participação do PSD no governo e passa a ser um dos cotados.

Herdeira de Arraes foi barrada no PSB

Diferentemente do que foi publicado na coluna (e noticiado em Pernambuco), a vereadora de Recife Marília Arraes (PSB), neta de Miguel Arraes e prima do ex-governador Eduardo Campos, não retirou sua candidatura à deputada federal. O PSB lhe negou a legenda. Por isso, Marília rompeu com o primo e apoiou as candidaturas de Dilma e de Armando Monteiro (PTB) ao governo estadual. Com a vitória de Paulo Câmara (PSB) a governador, ficou isolada. Agora, com a expressiva votação de Dilma no Estado (71% a 29% para Aécio), foi ovacionada na festa da petista em Recife, no domingo. A atitude do PSB reforçou a imagem de mártir nas ruas.

Supliciy reage bem à derrota

Petistas de São Paulo avaliam que o senador Eduardo Suplicy reagiu bem à derrota que teve nas urnas. O parlamentar de 73 anos anunciou planos de viajar com os filhos e voltar a dar aulas. Dirigentes do partido imaginavam que, depois de 24 anos no Senado, Suplicy podia ter algum problema para se afastar do cargo. Isso é comum entre políticos que passam muito tempo no Congresso. Há casos de ex-parlamentares que continuam frequentando o local como se ainda tivessem mandato.

Pouca chance de virar ministro

Apesar de destacarem a importância de Eduardo Suplicy para a história do PT e também em temas humanitários, petistas ligados ao Palácio do Planalto não acreditam que ele possa ter algum espaço dentro do segundo governo Dilma. Ele é considerado muito obstinado e, às vezes, um pouco afoito diante de denúncias que recebe. “ Para a população, ele seria um ótimo secretário nacional de Direitos Humanos, mas ia ser bem complicado para o governo”, comenta um importante governista.

Com Leonardo Fuhrmann


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